De tapetes inspirados nos Lençóis Maranhenses a móveis esculturais, brasileiros chegam à maior semana de design do mundo com projetos que traduzem identidade e inovação.
A Milan Design Week 2026 acontece entre os dias 20 e 26 de abril na cidade italiana, com exposições, instalações e ativações espalhadas por diferentes espaços. Considerado o maior evento anual do setor, o encontro reúne nomes do design internacional — e, neste ano, a presença brasileira ganha destaque especial.
Fernanda Marques leva os Lençóis Maranhenses para Milão
A arquiteta brasileira Fernanda Marques apresenta no Fuorisalone um tapete desenvolvido em colaboração com a marca americana By Henzel. A peça é inspirada nas paisagens dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, e será exibida no Museo Nazionale Scienza e Tecnologia Leonardo da Vinci a partir de 20 de abril.
Produzida artesanalmente com a técnica hand-knotted, a obra combina lã, seda e mohair. Relevo, textura e variações sutis de cor buscam traduzir o movimento constante daquela paisagem única do Nordeste brasileiro.
Os Lençóis Maranhenses sempre me chamaram atenção pela forma como a paisagem está em constante transformação. Quis traduzir esse movimento e essa fluidez em uma peça têxtil, explorando relevo, textura e variações sutis de cor. A ideia foi trazer a sensação desse lugar para a obra.
Fernanda Marques, arquiteta
O trabalho integra o programa The Atelier Editions, dentro do Henzel Studio, que reúne arquitetos e designers de diferentes países em projetos de investigação material e conceitual.
ETEL apresenta Entropia e homenageia Zalszupin
A marca brasileira ETEL chega à Milan Design Week 2026 com duas apresentações. A principal é Entropia, coleção assinada pelo designer e artista argentino Cristián Mohaded em parceria com os artesãos da marca, com curadoria de Annalisa Rosso.
O ponto de partida foi o acervo de madeiras acumulado ao longo dos anos na marcenaria da ETEL: espécies distintas, densidades e veios heterogêneos que guardam décadas de produção. Mohaded não buscou uniformizar esse material. Pelo contrário, o processo de entalhe e recomposição amplifica as diferenças de cada fragmento, transformando contrastes em ritmo compositivo.
O resultado é uma série de peças de alto caráter escultórico que permanecem funcionais: totens, buffet, console, mesa de centro, mesa lateral, espelhos e luminária. A forma de cada peça não foi imposta — foi descoberta dentro da própria matéria, por meio de um diálogo constante entre o designer e os artesãos.
O conceito por trás do título
O nome vem da física: entropia descreve como um sistema se reorganiza a partir de transformações internas. Aplicado ao design, o conceito propõe que a forma emerge das relações já presentes na matéria — e não de uma ordem externa imposta a ela.
Jorge Zalszupin no alto da Torre Velasca
Na mesma semana, Milão recebe Warsaw – São Paulo – Milano: Jorge Zalszupin’s Brazilian Modernism. No alto da Torre Velasca, um dos edifícios mais icônicos do pós-guerra italiano, o legado do designer nascido Jerzy Zalszupin alcança consagração na capital mundial do design.
A exposição tem curadoria de Federica Sala e Anna Maga e é uma realização da Visteria Foundation em parceria com a ETEL.
Serviço
- Milan Design Week 2026: 20 a 26 de abril de 2026, Milão, Itália
- Fernanda Marques / By Henzel: Museo Nazionale Scienza e Tecnologia Leonardo da Vinci — a partir de 20 de abril, durante o Fuorisalone
- ETEL — Entropia: coleção de Cristián Mohaded com curadoria de Annalisa Rosso
- Warsaw – São Paulo – Milano: Jorge Zalszupin’s Brazilian Modernism: Torre Velasca, Milão — curadoria de Federica Sala e Anna Maga, realização da Visteria Foundation em parceria com a ETEL

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