Rainha de Bateria da Tucuruvi surpreendeu ao trocar costeiro monumental por body vermelho com rosas e velas acesas, representando “todas as Marias” na Avenida.
Carla Prata protagonizou um dos momentos mais marcantes do Carnaval 2026 ao acender velas no próprio headpiece durante o desfile da Acadêmicos do Tucuruvi, terceira escola a entrar na Avenida, no domingo, 15 de fevereiro. O gesto cênico, realizado com uma varinha, transformou a fantasia em espetáculo e emocionou o público.
A Rainha de Bateria apostou em uma proposta estética radical para sua trajetória: sem costeiro monumental, sem cristais de valores astronômicos, sem o excesso tradicional. O que restou foi essência pura — um vermelho vibrante que envolvia o corpo como fogo e rosas tridimensionais que criavam profundidade a cada movimento.
Fogo, fé e feminino
O body estruturado em base nude recebia bordados de pedrarias vermelhas em desenhos orgânicos. Rosas tridimensionais dominavam o busto e o quadril, enquanto ombros levemente estruturados ganhavam plumas vermelhas que ampliavam a silhueta sem esconder o corpo.
O headpiece reunia flores, plumas e velas estilizadas com chamas reais — símbolo de fé, proteção e luz. A saia longa em organza vermelha translúcida formava um manto dramático que fluía com leveza, criando ondas intensas a cada giro. Aplicações de rosas espalhadas reforçavam a estética de um jardim em chamas.
Nas pernas, meia arrastão equilibrava sensualidade e tradição. O salto alto vermelho alongava a silhueta e sustentava a presença imponente da Rainha.
Representando “todas as Marias”, Carla levou para a Avenida uma fantasia considerada a mais simples de sua trajetória — mas talvez a mais potente em significado.
Com samba no pé, técnica apurada e sintonia absoluta com a bateria, ela mostrou entrega total do primeiro ao último compasso. À vontade e profundamente conectada, provou que simplicidade pode ser grandiosa quando carrega verdade.
O luxo não estava no excesso, mas na ancestralidade, na fé e na força feminina traduzida no vermelho do fogo e da paixão.
Foto: Luís Felipe Morais
