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O bloco que coloca pessoas com deficiência no centro do Carnaval

Com 300 pessoas com deficiência e o samba “Trabalhar é direito”, o Percussomos do Amor desfila em 22/02 no Gragoatá, em Niterói.

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“Eu não escolhi o surdo. Foi ele quem me escolheu”

Quem ouve Maria Fernanda falar sobre o surdo — o instrumento de percussão — entende na hora o que move o Bloco Percussomos do Amor. A jovem de 21 anos, que tem síndrome de Down e é conselheira municipal titular de pessoas com deficiência no Conselho de Direitos Humanos de Niterói, ensaia todos os dias para o desfile de 22 de fevereiro de 2026, na Praça Duque de Caxias, no Gragoatá.

“Estou muito feliz. Porque vai ser maravilhoso. Estou muito emocionada”, diz a percussionista, que ainda vai aquecer nos desfiles das escolas de samba — torce pela Mangueira e pela Viradouro — antes de viver a expectativa da avenida com o bloco.

“Eu não escolhi o surdo. Foi ele quem me escolheu.” — Maria Fernanda, 21 anos, percussionista e conselheira municipal de pessoas com deficiência

Um bloco nascido da inclusão

O Percussomos do Amor surgiu da oficina de percussão do projeto Práticas Acessíveis, do Instituto Teatro Novo, que desenvolve metodologias artísticas voltadas a pessoas com deficiência. Em 2025, na estreia, o bloco reuniu mais de 600 pessoas. Em 2026, a expectativa é de cerca de 800 foliões, sendo pelo menos 300 com deficiência.

Ao todo, são cerca de 70 ritmistas na bateria. Boa parte aprendeu a tocar nas oficinas do instituto. O bloco integra oficialmente o calendário de blocos de Niterói, com patrocínio da Prefeitura Municipal, via Neltur – Niterói Empresa de Lazer e Turismo, e apoio da Secretaria Municipal das Culturas.

O samba que defende emprego como direito

Em 2026, o enredo é “Trabalhar é direito”. O samba convoca a sociedade a reconhecer as habilidades reais das pessoas com deficiência e a abrir espaço para trajetórias profissionais justas. Um dos destaques é o emprego apoiado — modelo que garante ferramentas e ambientes acessíveis para que esses profissionais possam render cada vez mais.

O samba será puxado por Paulo Zerbinni, que é cadeirante. A mensagem que o bloco quer deixar nas ruas é direta: “Não é favor, é direito.” Uma declaração de enfrentamento ao capacitismo e de afirmação de cidadania.

Acessibilidade do começo ao fim

O desfile terá estrutura de acessibilidade plena. Haverá intérpretes de Libras, audiodescrição ao vivo, comunicação alternativa e aumentativa (CAA) — incluindo pirulitos com símbolos para que os integrantes sinalizem suas necessidades durante a apresentação —, apoio à mobilidade e abafadores sonoros.

Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), haverá uma tenda de acolhimento dedicada à regulação sensorial. Ritmistas, lideranças artísticas e integrantes da bateria são, em sua maioria, pessoas com deficiência — o protagonismo não é simbólico, está no centro da cena.

Base legal e referência nacional

O bloco é amparado pela Lei Brasileira de Inclusão, pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, pela Lei Municipal nº 3.821/2023 e pela Lei nº 4.063/2025. Com essa estrutura jurídica e cultural, o Percussomos do Amor projeta Niterói como referência nacional em práticas culturais anticapacitistas.

Serviço

Bloco: Percussomos do Amor

Data: 22 de fevereiro de 2026 (domingo)

Concentração: 8h

Saída: 10h

Local: Praça Duque de Caxias – Gragoatá (ao lado do Forte) – Niterói/RJ

Trajeto: Praça Duque de Caxias – Forte – retorno à Praça Duque de Caxias

Duração: 4 horas (2h de concentração + 2h de desfile)

Patrocínio: Prefeitura Municipal de Niterói | Neltur | Secretaria Municipal das Culturas

Foto: Divulgação

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