Transformar a atenção básica à saúde para mulheres negras é a principal reivindicação da CRIOLA na 12ª Marcha Estadual das Mulheres Negras, no Rio de Janeiro, marcada para domingo, 26 de julho, com concentração a partir das 10h no Posto 2 de Copacabana.
O ato celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, reunindo movimentos sociais, entidades sindicais, organizações populares e coletivos em torno das pautas de Reparação e Bem Viver. A marcha é organizada coletivamente e coordenada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro (FEM Negras-RJ).
“Como fazer escolhas, falar em justiça reprodutiva e dignidade menstrual, se elas não sabem nem o direito que têm?”, questiona Rita Borret, pesquisadora e consultora de CRIOLA.
Saúde como direito constitucional
Para a CRIOLA, organização da sociedade civil fundada em 1992 e conduzida por mulheres negras, o ponto central está na urgência de transformar a atenção básica à saúde para mulheres negras, tanto no âmbito nacional quanto no estado do Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde reconhece que o racismo é um determinante das desigualdades em saúde e que a população negra ainda enfrenta barreiras de acesso aos serviços do SUS.
No Rio de Janeiro, onde 53% da população é negra, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o enfrentamento ao racismo institucional torna-se ainda mais urgente para garantir acesso equitativo e atendimento de qualidade à maior parcela da população do estado.
Rita Borret, pesquisadora e consultora de CRIOLA no projeto Saúde das Mulheres Negras, destaca que a prioridade é garantir um direito constitucional, que tem como porta de entrada principal a atenção básica. “E o que CRIOLA tem visto é que as mulheres negras não têm esse direito garantido e o quanto falta de informação em saúde, inclusive, para estimular a autonomia e a possibilidade de decidir sobre si”, afirma.
Estratégias de autocuidado e diálogo
Além das lacunas no acesso, Rita Borret observa que mulheres negras vêm desenvolvendo estratégias de autocuidado. “Nesse caminho, entendemos que elas têm muito a ensinar para a atenção básica. Temos a perspectiva de achar pontes de diálogo”, finaliza ela.
Reparação e Bem Viver como eixos políticos
Esta edição da Marcha Estadual das Mulheres Negras dá continuidade ao processo de mobilização iniciado nas últimas décadas em torno da pauta Reparação — busca por remediação das injustiças sociais e históricas enfrentadas pela população negra, por meio de ações que restituam direitos — e Bem Viver — proposta de um modo de vida justo, sustentável e harmonioso, que se consolidou como eixo político do movimento de mulheres negras em todo o país.
O ato é em defesa da reparação histórica, do enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às diversas formas de violência que atingem a população negra. A CRIOLA atua na defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, tendo por missão trabalhar para a erradicação do racismo patriarcal cisheteronormativo.
Serviço
- 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro – Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver
- Data: 26 de julho (domingo)
- Horário: Concentração a partir das 10h
- Local: Posto 2, em Copacabana (RJ)
