O 3º Encontro das Nações transformou o Museu da República, no Rio de Janeiro, em um grande território de celebração da diversidade cultural, reunindo milhares de pessoas ao longo do fim de semana. Com público estimado em cerca de 10 mil visitantes por dia, o evento se consolidou como uma das principais iniciativas de valorização dos povos e comunidades tradicionais no estado.
Entre jardins e espaços internos do museu, o público encontrou um verdadeiro mosaico cultural formado por cerca de 90 expositores. Gastronomia, artesanato, literatura, moda, música e manifestações tradicionais ocuparam cada canto do espaço, revelando a riqueza dos saberes ancestrais e suas múltiplas expressões.
Um encontro de saberes e identidades
O evento reuniu representantes de povos indígenas, povos de terreiro, cultura cigana e diversos outros grupos tradicionais, promovendo um ambiente de troca, escuta e fortalecimento coletivo. Mais do que exposição cultural, o encontro funcionou como um espaço vivo de diálogo entre diferentes territórios e identidades.
A proposta foi criar conexões entre saberes ancestrais e o público contemporâneo, valorizando práticas que atravessam gerações e permanecem fundamentais para a construção da cultura brasileira.
Gastronomia ancestral ganha protagonismo
Um dos grandes destaques desta edição foi a presença da gastronomia ancestral, ampliada pela participação inédita de representantes de países africanos como República do Congo, Angola e Nigéria. A culinária se tornou ponte entre culturas, conectando histórias, territórios e tradições.
Chefs internacionais compartilharam receitas, técnicas e narrativas que revelam a profundidade das tradições culinárias africanas. O público teve a oportunidade de experimentar sabores e compreender o contexto cultural por trás de cada prato, em uma experiência imersiva e sensorial.
Durante a abertura, o idealizador do evento, Marcelo Fritz, destacou o crescimento e a importância do encontro como espaço de união.
O Encontro das Nações é um evento que é uma criança e, graças a Deus, a gente chega num momento de ápice. Vai ter muita troca, vai ter muita coisa boa que vai unir, que vai trazer diálogo, que vai trazer troca de cultura, de informação e, certamente, essa nossa união vai nos levar a lugares muito maiores
O organizador também ressaltou o papel coletivo na construção do evento, destacando a participação dos expositores e parceiros como essencial para o crescimento da iniciativa.
Debates e espiritualidade em foco
A programação incluiu cortejos multiculturais, oficinas, apresentações artísticas e rodas de conversa. Entre os momentos de maior relevância esteve o Fórum Inter-religioso, que reuniu lideranças religiosas, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
Com mediação de Tauan Sayro e Júlia Madeira, o debate contou com nomes como Babalorixá Márcio de Jagun, Mãe Marilene Mattos Andrade, Caio Bayma, Doné Conceição d’Lissá, Leide Calazancio e o Babalawô Ivanir dos Santos. As discussões abordaram o papel das religiões de matrizes africanas na luta por cidadania e a importância da liberdade religiosa.
Os encontros reforçaram a necessidade do diálogo inter-religioso e do respeito à diversidade de crenças como pilares para uma sociedade mais justa e inclusiva.
Arte, emoção e manifestações culturais
As expressões artísticas também tiveram papel central na programação. Oficinas de atabaque, cantos de louvação e apresentações da cultura cigana envolveram o público em experiências sensoriais e afetivas.
Um dos momentos mais marcantes foi o Xirê dos Orixás, que emocionou os visitantes com sua força simbólica, estética e espiritual. A celebração reafirmou a importância das tradições afro-brasileiras como parte essencial da identidade cultural do país.
Outro destaque foi a apresentação do grupo teatral Lumiar Iaxé da Mulher, que levou ao palco uma encenação sobre feminicídio. A performance trouxe uma abordagem sensível e impactante sobre a violência contra a mulher, provocando reflexão e engajamento do público.
Com música, dança e manifestações diversas, o evento mostrou como a arte segue sendo um instrumento potente de resistência, preservação cultural e transformação social.
Um espaço que cresce e se fortalece
O sucesso de público confirma o interesse crescente da sociedade por iniciativas que valorizam as tradições, promovem o diálogo intercultural e ampliam o reconhecimento dos povos que mantêm vivas as raízes culturais brasileiras.
Mais do que uma feira multicultural, o Encontro das Nações se estabelece como um espaço estratégico de conexão entre diferentes saberes, reafirmando a importância da ancestralidade, da diversidade e da liberdade religiosa na construção de uma sociedade plural.
Serviço
- Evento: 3º Encontro das Nações
- Local: Museu da República
- Data: fim de semana




















