A proliferação de redes sociais, algoritmos e filtros digitais acentua a imposição de padrões de beleza e acende o alerta para os riscos do apagamento étnico na formação de jovens.
Diante do avanço das tecnologias e da cultura digital, o Grupo BandAntirracismo do Colégio Bandeirantes realizou, em 21 de outubro de 2026, o painel “Raízes da Beleza: Como os padrões estéticos podem distorcer quem somos e como enxergamos o outro”. O encontro reuniu educadores e especialistas do setor para debater as fronteiras entre apreciação e apropriação cultural, a decolonização do olhar e a estética como forma de resistência.
Falar de estética no meu trabalho é falar de tudo. Quando decidi trabalhar com moda, eu queria ser diferente e usar esse espaço para me comunicar diretamente com as mulheres negras.

Resistência e representatividade no universo da moda
A estilista Isa Silva destacou como a atuação no mercado da moda pode resgatar a autoimagem de pessoas historicamente invisibilizadas. Ao relembrar o início da carreira, ressaltou a escassez de profissionais negros em posição de destaque nas pesquisas da época e celebrou a oportunidade atual de construir novas referências de representatividade para o setor.
O diretor criativo e stylist Caio Sobral analisou a complexidade de construir a identidade sob a constante pressão das plataformas virtuais. Ele enfatizou a urgência de encarar a moda como um ecossistema político, capaz de assegurar o pertencimento e o espaço de fala para corpos e trajetórias plurais que desafiam a hegemonia estética.

Da ditadura dos veículos tradicionais à ilusão das redes
A comunicadora de beleza e maquiadora Vanessa Rozan examinou a transição histórica entre os veículos impressos e o ecossistema prigital. Se antes as capas de revistas impunham um padrão distante da realidade brasileira, as redes trouxeram a possibilidade de identificação direta com criadores que refletem a diversidade do país, embora a imagem siga sob forte vigilância e exigência social.
A maquiadora e influenciadora Kamila Kim abordou a pressão vivenciada por comunidades asiáticas na adaptação de seus traços ao ideal ocidentalizado. Ao relatar a busca por cirurgias estéticas e a tentativa frustrada de aplicar técnicas de maquiagem inadequadas à própria fisionomia, reforçou que valorizar a ancestralidade e reconhecer as características reais é indispensável para o pertencimento.

Formação crítica em ambientes prigitais
A discussão promovida durante o evento integra uma série de ações educativas focadas na construção do pensamento crítico de estudantes diante do ambiente físico e digital. Com a iniciativa, busca-se instrumentalizar os alunos para reconhecer vieses raciais reproduzidos pela tecnologia e promover a inclusão ética no cotidiano escolar e social.