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Fórum Inter-Religioso leva debate sobre democracia ao Encontro das Nações

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O Fórum Inter-Religioso ocupa um lugar de destaque no 3º Encontro das Nações – Saberes dos Povos e Comunidades Tradicionais do Estado do Rio de Janeiro, realizado nos dias 20 e 21 de junho, no Museu da República. A proposta do espaço é colocar em pauta temas centrais para o país, como democracia, cidadania e liberdade religiosa, a partir do diálogo entre diferentes tradições espirituais, lideranças sociais e pesquisadores.

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Marcado para o domingo, 21 de junho, o Fórum integra a programação do encontro com uma agenda voltada à valorização da diversidade cultural e religiosa que compõe a identidade brasileira. Ao reunir representantes de diferentes campos do conhecimento e da vivência comunitária, o debate reforça a defesa dos direitos humanos e o respeito às diferenças como parte essencial da vida democrática.

Debates sobre democracia e cidadania

A primeira mesa do Fórum acontece às 14h e traz como tema “A importância das religiões de matrizes africanas na luta pela democracia e cidadania”. A discussão destaca o papel histórico e contemporâneo dessas tradições na construção de direitos, no enfrentamento às desigualdades e na afirmação da presença negra e periférica nos espaços de participação social.

Participam desse encontro o professor e pesquisador Ivanir dos Santos, referência nacional na defesa da liberdade religiosa; a Yalorixá Márcia Marçal, escritora e matriarca do Ilê Asé D’Oluaiyè Ni Oyá; o Babalorixá Márcio de Jagun, doutor em Filosofia e pós-doutor em Ciências da Religião; e Mãe Marilene Mattos Andrade, representante da tradição umbandista. A mediação será conduzida por Tauan Sayro, doutorando em História Comparada pela UFRJ.

A escolha do tema coloca em evidência a contribuição das religiões de matrizes africanas para o debate público e para a ampliação da cidadania. Em um contexto em que a liberdade de crença segue como pauta urgente, a mesa propõe uma escuta qualificada sobre memória, resistência e participação democrática.

Cultura, espiritualidade e liberdade religiosa

Na sequência, às 16h, o Fórum promove a mesa “A Importância da Cultura e Espiritualidade para a Promoção da Liberdade Religiosa”. O debate parte da relação entre memória, práticas culturais e tradições espirituais para refletir sobre a garantia de direitos fundamentais e o combate à intolerância religiosa.

Participam da conversa o prof. e Babalawô Ivanir dos Santos; a professora e filósofa Helena Theodoro; Caio Bayma, dirigente da TUFAL, escritor e produtor cultural; Doné Conceição d’Lissá, mestre em Memória Social e doutoranda pela UNIRIO; e Leide Calazancio, reconhecida pelo trabalho de valorização da bioeconomia e do artesanato indígena. A mediação ficará a cargo de Júlia Madeira, mestranda em História Comparada da UFRJ.

Ao articular cultura e espiritualidade, a segunda mesa amplia o alcance da discussão e aponta para a importância das tradições na preservação de identidades coletivas. O foco está na força desses saberes como instrumentos de reconhecimento, permanência e defesa da liberdade religiosa em diferentes territórios e comunidades.

Um encontro voltado aos saberes ancestrais

Realizado no histórico Palácio do Catete, sede do Museu da República, o 3º Encontro das Nações reúne povos indígenas, povos de terreiro, comunidades quilombolas, representantes da cultura cigana, baianas tradicionais, mestres da cultura popular, artistas, pesquisadores e lideranças comunitárias. A programação foi concebida como uma grande celebração dos saberes ancestrais e da pluralidade que marca a formação cultural brasileira.

Mais do que um espaço de exibição, o encontro se apresenta como um ambiente de convivência, troca e visibilidade para povos e comunidades tradicionais. A presença de diferentes matrizes culturais e espirituais no mesmo território fortalece a proposta de diálogo e amplia a dimensão pública do evento.

Feira, apresentações e gastronomia ancestral

Além das mesas de debate, o público pode visitar uma feira multicultural com cerca de 90 expositores, acompanhar apresentações musicais, danças, cantos tradicionais, manifestações indígenas, atividades dos povos de terreiro e o Festival Gastronômico Ancestral. A programação valoriza expressões que atravessam memória, identidade e transmissão de conhecimentos entre gerações.

O festival gastronômico aparece como uma das frentes dessa celebração, ao destacar receitas e sabores que carregam a história dos povos tradicionais. Já as apresentações artísticas e as manifestações culturais reforçam a amplitude do encontro, que articula debate, experiência coletiva e reconhecimento público.

De acordo com a proposta do evento, o Fórum Inter-Religioso reafirma o compromisso do Encontro das Nações com a promoção do diálogo, o respeito às diferenças e a valorização da diversidade cultural e espiritual que constitui a riqueza do Brasil. Aberto ao público, o encontro reúne reflexão e celebração em uma programação voltada à convivência democrática.


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