A gastronomia como reflexo de identidade, motor econômico e campo de inovação deu o tom do primeiro dia do FOLGA + Mesa ao Vivo Rio, realizado na Marina da Glória. Reunindo chefs, empresários e especialistas, o encontro apresentou um panorama abrangente sobre os desafios e caminhos do food service, conectando temas que vão da cultura à tecnologia.
A programação desta terça-feira, 16, evidenciou como o setor exige hoje uma visão multidisciplinar. Mais do que cozinhar bem, é preciso compreender comportamento do consumidor, gestão de equipes, posicionamento de marca e adaptação constante a novas demandas.
Gastronomia como identidade e força econômica
A abertura trouxe uma discussão central: o papel da gastronomia na construção da imagem de cidades e países. O chef peruano Gastón Acurio dividiu o palco com Daniela Maia, secretária municipal de Turismo do Rio, em uma conversa que destacou a comida como elemento de pertencimento e orgulho nacional.
O debate também reforçou o impacto direto do setor na economia, apontando como a valorização da cultura alimentar pode fortalecer destinos turísticos e impulsionar negócios locais.
Essa perspectiva ganhou complemento com a participação de Raphael Rodrigues, do Mastercard Economics Institute, que apresentou dados e análises sobre o comportamento de consumo. A leitura econômica ampliou o entendimento sobre as transformações que influenciam bares e restaurantes, ajudando empresários a enxergar tendências e se preparar para mudanças.
Gestão, equipes e experiência do cliente
A formação de equipes e a consistência no atendimento apareceram como pilares fundamentais para o sucesso dos negócios gastronômicos. Paulo Bitelman e Erika Guedes, do Grupo Le Jazz, abordaram o treinamento interno como ferramenta estratégica para alinhar cultura organizacional e qualidade de serviço.
O tema da experiência do cliente também foi explorado em diferentes frentes. Gustavo Lima, do Risposta, e Bernardo Netto, do Falaê, destacaram a importância da escuta ativa e do relacionamento para construir conexões mais sólidas com o público, em conversa mediada por Danni Camilo.
Já o chef João Diamante trouxe à discussão a formação profissional com foco em inclusão, a partir do projeto Diamantes na Cozinha, ampliando o olhar sobre o papel social da gastronomia.
Territórios, diversidade e empreendedorismo
A pluralidade da cena carioca ganhou destaque na mesa dedicada à Tijuca. Dianna Macedo, Pierluigi Russo e Marcos Nascimento discutiram como a região se consolida pela variedade e qualidade, além de refletirem sobre o desafio de conquistar visibilidade fora dos circuitos mais tradicionais da cidade.
O empreendedorismo em áreas periféricas também entrou em pauta com Ademario Silva, da rede Ex Burguer, evidenciando caminhos possíveis para crescimento em contextos diversos.
Em paralelo, uma conversa mediada por Daniel Salles reuniu Guilherme Bon, Priscila Continentino e Eliana Rocha para analisar os botecos cariocas, explorando o equilíbrio entre tradição e inovação em um dos segmentos mais emblemáticos da cidade.
Tecnologia e novos hábitos de consumo
Na Arena, o foco se voltou para a prática e a adaptação às mudanças do mercado. A integração entre delivery e atendimento em salão abriu os debates com Bruna Paranhos, do iFood, e Rafael Costa, fundador do Jotajá, que discutiram estratégias para ampliar receitas sem comprometer a experiência do cliente.
Outro ponto de atenção foi o impacto de novos hábitos alimentares. Marta Aresta, consultora do Sebrae, analisou como o uso crescente de canetas emagrecedoras pode influenciar diretamente cardápios, porções e modelos de negócio no food service.
A programação também trouxe conteúdos técnicos, como a apresentação da técnica sous vide com Alain Poletto, além de discussões sobre café e mercado B2B com Bruno Carnavale e Thiago Lourenço, da 3Corações.
Produto, estratégia e diferenciação
O olhar estratégico sobre produtos apareceu em diferentes momentos da Arena. Paula Prandini, do Empório Jardim, apresentou o brunch como oportunidade de negócio em parceria com a Frescatto, destacando o potencial desse formato para diversificar receitas.
Já a chef pâtissier Carole Crema abordou o papel das sobremesas como fonte de rentabilidade e diferenciação, defendendo que o doce deve ser planejado com a mesma atenção dedicada aos demais itens do cardápio.
Encerrando o dia, Gilvan Nunes, embaixador do Grupo Miolo, trouxe uma reflexão sobre terroir e identidade na produção de vinhos, conectando origem e cultura ao valor percebido pelo consumidor.
Um setor em transformação contínua
Ao reunir discussões sobre economia, cultura, gestão, tecnologia e comportamento, o primeiro dia do evento evidenciou a complexidade do setor gastronômico. A atividade exige hoje uma visão integrada, capaz de conectar dados, pessoas e território.
Mais do que tendências isoladas, o encontro apontou para uma transformação estrutural no food service, onde adaptação e estratégia se tornam indispensáveis.
A programação continua nesta quarta-feira, 17, na Marina da Glória, com novos encontros voltados à troca de experiências, networking e desenvolvimento de negócios gastronômicos.
Serviço
- Evento: FOLGA + Mesa ao Vivo Rio de Janeiro
- Data: 16 e 17 de junho
- Local: Marina da Glória










