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Madureira celebra a trajetória de Ivanir e reafirma legado de luta e ancestralidade

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Um domingo que virou memória coletiva transformou o Viaduto de Madureira em símbolo vivo de reconhecimento, afeto e resistência ao celebrar os 72 anos de Ivanir dos Santos.

O encontro no Viaduto de Madureira reuniu cerca de mil pessoas em torno da trajetória do professor e babalawô Ivanir dos Santos, referência nacional na defesa dos direitos humanos, da igualdade racial e da liberdade religiosa. Mais do que um aniversário, a celebração reuniu diferentes gerações que acompanharam sua caminhada ao longo de mais de cinco décadas.

Familiares, ex-alunos, lideranças religiosas, representantes de movimentos sociais, intelectuais, artistas e autoridades estiveram presentes. Entre eles, nomes como Benedita da Silva, Dani Balbi e Waldeck Carneiro, além de integrantes históricos do movimento negro e representantes de diversas organizações civis.

Recebi uma quantidade de amor como nunca havia visto. Cada abraço e cada reencontro fizeram deste aniversário um momento que levarei para sempre na memória.

A programação começou com o Charme do Rio Antigo, que ocupou a pista e deu o ritmo da tarde. Em seguida, homenagens no palco abriram espaço para a Resenha Black Bom, responsável por um dos momentos mais simbólicos do evento: o desfile em tapete vermelho ao som do charme, exaltando identidade, autoestima e elegância negra.

Ivanir foi um dos primeiros a cruzar a passarela. Ovacionado, dançou e sorriu diante do público, sintetizando o espírito do encontro. O “Parabéns” coletivo reforçou o caráter de reconhecimento público a uma trajetória construída de forma coletiva.

Entre política, fé e cultura, uma rede construída ao longo de décadas

A diversidade de presenças refletiu o alcance da atuação de Ivanir. Estiveram no evento intelectuais como Jacques d’Adesky e Medeiros, lideranças como Clátia Vieira e Ruth Pinheiro, além de representantes religiosos como o padre Gege, o pastor Kleber Lucas e a ialorixá Janaína de Ossaim.

No palco, falas de Carlos Minc, Renata Souza, Mônica Cunha e Janaína de Ossaim destacaram o papel do homenageado como uma das principais vozes na defesa da liberdade religiosa e dos direitos da população negra no Brasil.

A pista cheia e o futuro em movimento

O encerramento ficou por conta do show de Dhema, ao lado de Serjão Loroza. Clássicos da música brasileira embalaram o público, que permaneceu na pista até o fim. Ivanir voltou a dançar, cercado por amigos e convidados, em um gesto que reforçou o tom afetivo da celebração.

Durante o evento, ele também sinalizou novos caminhos. “Agora começa um novo ciclo. É uma vida e ainda mais vontade de seguir construindo, sonhando e lutando”, afirmou.

Para José Carlos Lima de Campos, do IPUB/UFRJ, o local sintetiza o significado da homenagem. O Viaduto, tradicional espaço da cultura negra carioca, reforça o vínculo entre a trajetória de Ivanir e a luta coletiva por direitos.

Faixas espalhadas pelo espaço, enviadas por movimentos sociais, coletivos culturais e organizações religiosas, ampliaram o tom de reconhecimento. As mensagens destacavam a contribuição do professor para a promoção da igualdade racial e da cultura afro-brasileira.

Entre música, memória e reencontros, Madureira reafirmou um legado em movimento — e mostrou que a história de Ivanir dos Santos segue atravessando gerações.


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