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Quem é ouvido no mercado da comunicação

Quem é ouvido no mercado da comunicação

O debate sobre quem ocupa espaços de fala e reconhecimento no mercado da comunicação ganha um novo capítulo no dia 28 de maio, com a realização de mais uma edição do Abradi Delas Conversas Reais. Desta vez, o encontro coloca em foco as relações entre raça, narrativa e poder — um tema que atravessa práticas profissionais e estruturas ainda pouco questionadas no setor.

Com o tema “Quem pode falar e quem é ouvido: raça, narrativa e poder no mercado de comunicação”, a edição recebe a escritora, palestrante e especialista em narrativa e educação antirracista Daniela Torres (@NegraParda). A proposta é provocar reflexão sobre os mecanismos — muitas vezes naturalizados — que determinam quem é legitimado como autoridade dentro das organizações.

Representatividade e construção de autoridade

Finalista do Prêmio Abradi na categoria Redator/Copywriter e criadora do projeto NegraParda, Daniela conduz a conversa a partir de experiências e análises sobre representatividade no mercado. O encontro aborda especialmente os desafios enfrentados por mulheres negras e pardas na busca por visibilidade, reconhecimento e acesso a posições de decisão.

Entre os pontos centrais, estão a construção de autoridade profissional e os caminhos possíveis para fortalecer a presença em ambientes onde desigualdades ainda persistem. A proposta não se limita à crítica: o conteúdo também inclui orientações práticas sobre posicionamento e atuação estratégica.

“Falar sobre narrativa e poder é também falar sobre quem é constantemente legitimado como autoridade e quem ainda precisa provar mais para ocupar os mesmos espaços. O letramento racial crítico ajuda empresas e profissionais a reconhecerem essas dinâmicas e criarem ambientes mais justos, diversos e inovadores”

Letramento racial e prática no mercado

Um dos eixos da conversa é o conceito de letramento racial crítico dentro das organizações. A discussão propõe ir além do discurso e analisar como práticas internas, decisões estratégicas e estruturas de poder impactam diretamente quem tem espaço para se expressar e influenciar.

Ao trazer esse olhar, o encontro busca ampliar a consciência sobre a responsabilidade coletiva do setor de comunicação, que atua diretamente na construção de narrativas, reputações e percepções públicas.

Reflexão interna no setor de comunicação

Para Carol Lima, Diretora de Empreendedorismo Feminino na Abradi SP e responsável pela organização do evento, o tema reforça a necessidade de o próprio mercado olhar para dentro. Segundo ela, a discussão é essencial para questionar quais vozes ocupam os espaços de decisão e influência.

“Como setor que constrói narrativas, reputações e percepções, temos a responsabilidade de olhar para dentro e questionar quais vozes ocupam os espaços de decisão, influência e reconhecimento. Essa conversa é essencial para que diversidade deixe de ser apenas uma pauta comunicada e passe a ser uma prática real na estrutura do mercado”

A iniciativa também se posiciona como um espaço de escuta e fortalecimento profissional. A proposta é contribuir para trajetórias que historicamente enfrentam barreiras, promovendo troca de experiências e construção coletiva de caminhos mais equitativos.

“Este é um espaço importante para fortalecer a trajetória de mulheres que devem ser ouvidas e, mais do que tudo, gerar consciência”, completa Carol.

Encontro online e exclusivo para mulheres

O Abradi Delas Conversas Reais será realizado de forma online e é exclusivo para mulheres. A proposta do formato é ampliar o acesso e incentivar a participação de profissionais de diferentes regiões, mantendo o foco na troca de experiências e na construção de um ambiente mais plural no setor de comunicação.

Gratuito, o evento reforça o compromisso da Abradi com pautas de diversidade, liderança e desenvolvimento profissional, promovendo discussões que conectam teoria, prática e vivência no mercado.


Serviço

Quem é ouvido no mercado da comunicação
Foto: Divulgação
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