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Rio reúne lendas e novas vozes no 1º Seminário das Rodas de Samba

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O 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba transforma o Rio de Janeiro em ponto de encontro entre tradição e renovação do gênero, reunindo artistas consagrados, novas vozes e agentes culturais em uma programação que coloca o samba no centro de debates estratégicos para o país.

Realizado entre os dias 22 e 24 de junho de 2026, o evento é promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e ocupa dois espaços simbólicos da cena cultural brasileira: o Palácio Gustavo Capanema e o Renascença Clube. A proposta é ambiciosa: discutir o papel das rodas de samba não apenas como expressão artística, mas como força social, econômica e identitária.

Encontro de gerações e ideias

A programação reúne nomes fundamentais do samba e da cultura brasileira. Entre os destaques estão Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz e Dorina Barros, além de pesquisadores, gestores públicos e representantes de rodas de samba de diversas regiões do país.

O seminário também conta com a presença de figuras importantes da gestão cultural e da política, como Márcio Tavares, Roberta Martins, Fabrício Antenor, Benedita da Silva, Verônica Lima, Danielle Barros e Lucas Padilha. A diversidade de vozes reforça a proposta de construir um diálogo amplo sobre o presente e o futuro do samba.

Logo na abertura, uma mesa de boas-vindas e uma conferência reúnem representantes institucionais e nomes históricos do gênero, como Sereno e Zé Luiz do Império, estabelecendo o tom do encontro: integração entre experiência, memória e inovação.

O samba como economia e território

Mais do que manifestação cultural, as rodas de samba são reconhecidas como redes vivas de sociabilidade e geração de renda. Presentes em milhares de comunidades, elas movimentam trabalhadores da cultura, fortalecem identidades locais e mantêm tradições afro-brasileiras em circulação contínua.

Esse papel ganha destaque no eixo dedicado à economia do samba, que aborda temas como fomento, sustentabilidade e economia criativa das ruas. Experiências como a Feira das Yabás e o Trem do Samba aparecem como exemplos concretos de como o gênero se articula com desenvolvimento territorial.

A discussão amplia o olhar sobre o samba como um sistema cultural complexo, que envolve produção artística, circulação econômica e impacto social direto nas comunidades onde acontece.

Memória, identidade e novas gerações

Outro eixo central do seminário mergulha nas dimensões históricas e simbólicas do samba. Debates sobre memória, identidade e patrimônio reúnem pesquisadores e especialistas como Helena Theodoro, Tadeu Kaçula e Nilcemar Nogueira, conectando diferentes territórios e tradições do samba brasileiro.

Ao mesmo tempo, a programação abre espaço para refletir sobre o futuro do gênero. O eixo dedicado à inovação e às novas gerações propõe pensar o samba em diálogo com dados, redes e novas formas de comunicação, mantendo a tradição como referência, mas sem perder a capacidade de reinvenção.

Essa combinação entre passado e futuro aparece como um dos pontos centrais do evento: preservar sem engessar, inovar sem romper com as raízes.

Articulação cultural e políticas públicas

O seminário também se debruça sobre a organização do movimento das rodas de samba e sua relação com políticas públicas. Mesas sobre articulação cultural e participação social reúnem representantes de diferentes regiões e linguagens, incluindo o hip hop, ampliando o diálogo entre manifestações culturais periféricas.

No último dia, o debate se volta diretamente para o impacto das políticas públicas nos territórios, discutindo como iniciativas institucionais podem fortalecer — ou limitar — o desenvolvimento dessas práticas culturais.

A presença de instituições como Funarte, Iphan e o próprio MinC reforça o caráter estratégico do encontro, que busca consolidar caminhos para o reconhecimento e fortalecimento das rodas de samba em escala nacional.

Encerramento com música e homenagem

O encerramento no Renascença Clube reúne uma mesa inspiradora com Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz e Márcio Tavares, sintetizando o espírito do seminário: encontro entre experiência, reflexão e criação.

Na sequência, o evento se transforma em celebração com uma roda de samba comandada por Marcelinho Moreira, em homenagem à Tia Surica, referência fundamental da cultura do samba.

A escolha do formato reafirma a essência do evento: pensar o samba, mas também vivê-lo — em sua forma mais coletiva, pulsante e conectada com o público.


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