Mais de 200 filmes inscritos impulsionam edição da SEDA em SP, que exibe obras periféricas e promove debates sobre o futuro do audiovisual.
Entre os dias 7 e 10 de maio, a SEDA — Semana do Audiovisual transforma o bairro do Cambuci, em São Paulo, em um ponto de encontro para quem pensa, faz e vive o cinema independente. Com entrada gratuita, o evento reúne mostras de curtas e longas-metragens, debates, encontros de formação e apresentações artísticas.
A proposta vai além da exibição. A SEDA aposta na construção de redes e no fortalecimento de narrativas que historicamente ficaram à margem. A curadoria desta edição destaca produções LGBTQIAP+, indígenas, negras, PCD e de linguagens periféricas, ampliando o alcance de histórias que dialogam diretamente com questões sociais contemporâneas.
Uma vitrine para o cinema independente
Com 205 filmes inscritos em apenas três dias de convocatória, a edição de 2026 evidencia o crescimento do interesse pelo circuito independente. Para Gian Martins, coordenador do projeto, o número reflete um movimento maior.
“Em três dias de convocatória, essa edição teve 205 filmes inscritos em todo o Brasil com apenas três dias de convocatória, ficamos contentes em ver a SEDA fortalecendo o ecossistema do cinema independente no Brasil”
Ao longo dos quatro dias, o público poderá acompanhar não só as sessões presenciais, mas também transmissões ao vivo de debates e encontros formativos pelo YouTube do Cine NINJA. A ideia é expandir o alcance das discussões e conectar diferentes territórios.
Programação atravessa territórios e temas
A agenda se distribui entre a NAVE Coletiva, no Cambuci, e a Agência Solano Trindade, no Campo Limpo — um dos principais polos de impacto social da zona sul paulistana. Essa descentralização reforça o compromisso da SEDA com a democratização do acesso.
Entre os destaques estão os longas “Cheiro de Diesel”, que abre as exibições com um olhar sobre territórios periféricos, “Memórias de um Esclerosado”, que traz a perspectiva PCD, e “YANUNI”, que mergulha na realidade indígena com a presença da liderança Juma Xipaia em debate.
Além disso, temas estruturais ganham espaço nas mesas de discussão. Políticas públicas para o audiovisual, sustentabilidade nas plataformas de streaming e estratégias de circulação de curtas aparecem como eixos centrais dos debates, conectando prática e reflexão.
Do café comunitário ao show ao vivo
A programação também abre espaço para experiências coletivas que vão além da sala de cinema. No Campo Limpo, o público é recebido com café comunitário antes das exibições, criando um ambiente de troca e convivência.
Já no encerramento, no domingo, a SEDA aposta em um clima mais celebrativo. O evento promove um especial de Dia das Mães — com incentivo para levar as mães ao cinema — e finaliza com show ao vivo de Flor ET, transmitido pela Twitch.
Com 15 anos de trajetória, a SEDA nasceu em Cuiabá, dentro do coletivo Fora do Eixo, e desde então percorreu cerca de 50 cidades no Brasil e na América Latina. Em São Paulo, a iniciativa ganha nova dimensão ao articular formação, exibição e articulação política em torno do audiovisual.
Mais do que um festival, a SEDA se afirma como um espaço de construção coletiva — onde o cinema não é apenas exibido, mas debatido, vivido e transformado em ferramenta de impacto social.
Serviço
- Evento: SEDA — Semana do Audiovisual
- Data: 7 a 10 de maio de 2026
- Entrada: Gratuita
- Local principal: NAVE Coletiva — Rua José Bento, 106, Cambuci, São Paulo
- Local adicional: Agência Solano Trindade — Rua Batista Crespo, 105, Vila Pirajussara
- Transmissão: YouTube do Cine NINJA




