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Seminário Jeholu articula políticas públicas e saberes de terreiro

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Comunidades de terreiro, universidade e poder público se encontram para transformar conhecimento tradicional em políticas de Estado e enfrentar desigualdades raciais no Brasil.

O 2º Seminário Jeholu de Políticas Públicas e Cultura das Tradições de Matrizes Africanas ocupa a agenda entre 11 e 14 de agosto de 2026, conectando o Sesc Bom Retiro e o município de Guararema em uma programação que cruza pesquisa, tradição e gestão pública. A proposta vai além do debate acadêmico: coloca no centro os saberes de terreiro como base para políticas públicas e reconhecimento de direitos.

“Os conhecimentos produzidos pelas comunidades de terreiro são fundamentais para políticas públicas mais democráticas e comprometidas com a justiça racial.”

A abertura, no dia 11 de agosto, inclui homenagem ao Pejigan Rafael Pinto, com participações de Denise Botelho, Natália Carneiro, Tata Konmannanji e Tata Katuvanjesi. A cerimônia inaugura quatro dias de encontros que aproximam diferentes campos do conhecimento e experiências sociais.

Quando o saber tradicional vira política pública

Promovido pela Ocupação Cultural Jeholu em parceria com o Diversitas/USP e com co-realização do Ilê Odẹ Maroketu Àṣẹ Ọba, o seminário reúne autoridades tradicionais, pesquisadores, artistas e gestores. A construção coletiva de propostas aparece como eixo: do combate ao racismo religioso à formulação de políticas culturais mais acessíveis.

Entre os nomes confirmados estão Iyá Vanda Machado, Iyá Wanda Araújo, Natália Carneiro, Claudia Alexandre e Rogério Família. A diversidade de vozes reforça o caráter interdisciplinar do encontro.

Do território ao debate nacional

As atividades em Guararema, entre os dias 12 e 14, acontecem no Espaço e Pousada Krisalys e incluem conferências, mesas e apresentações culturais. Temas como educação afrocentrada, justiça climática, memória, infância, sistema prisional e patrimônio cultural estruturam a programação.

A agenda também aborda questões práticas: financiamento cultural, atuação de conselhos tutelares, proteção de ritos funerários e assistência religiosa em instituições públicas. O objetivo é produzir diretrizes que possam influenciar políticas nacionais.

Memória, registro e continuidade

Além dos encontros presenciais, o seminário aposta na criação de um acervo permanente. Registros audiovisuais e conteúdos digitais serão organizados como base para futuras ações e debates públicos, ampliando o alcance das discussões.

Para Felipe Brito, diretor da Ocupação Jeholu, a iniciativa consolida uma plataforma contínua de articulação entre comunidades de terreiro, universidade e poder público, com foco em justiça racial, diversidade e sustentabilidade.

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