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SPC Summit 2026: dados e IA redefinem o crédito

Mais de 500 especialistas debateram em São Paulo como inteligência artificial, modelos preditivos e dados alternativos transformam o crédito em motor de crescimento.

O SPC Brasil realizou, no dia 26 de março de 2026, o SPC Summit 2026, na Casa Petra, em São Paulo. Com o tema “Transformando riscos em oportunidades na jornada de crédito e recuperação”, o evento reuniu executivos, economistas e especialistas de diferentes segmentos para debater o futuro do crédito em um cenário de alta inadimplência, juros elevados e transformação digital acelerada.

Cenário econômico pressiona o setor

O economista Pablo Spyer, sócio da XP Inc. e CEO da Vai Tourinho S.A., abriu o evento com um panorama desafiador para 2026. Tensões geopolíticas, volatilidade de commodities e incertezas na política monetária global formam o pano de fundo de um ano exigente para o mercado financeiro.

O principal risco hoje é a combinação de juros altos com pressões inflacionárias globais, que pode limitar o crescimento econômico.

Pablo Spyer, sócio da XP Inc. e CEO da Vai Tourinho S.A.

O cenário reforça a necessidade de maior assertividade na concessão de crédito, especialmente diante do elevado endividamento das famílias brasileiras.

Crédito como estratégia de negócio

Ao longo dos painéis, especialistas reforçaram que o crédito evoluiu de uma operação financeira para uma alavanca estratégica de crescimento, fidelização e relacionamento com o cliente. A visão foi compartilhada por representantes de empresas como Ceape, Lojas Koerich e Armazém Paraíba.

Crédito não é só concessão. É relacionamento.

Francimari Oliveira, Ceape

Estefânia Nascimento, do Armazém Paraíba, reforçou que o crédito está diretamente ligado à confiança e à fidelização, especialmente em modelos como o crediário, que sustentam relações duradouras com o consumidor. Na prática, o crédito pode acompanhar o cliente em toda a jornada: da entrada na base à gestão ativa da carteira.

Modelos preditivos e dados alternativos

Um dos painéis mais técnicos do evento reuniu representantes de BTG Empresas, Jeitto e Berlanda para debater o avanço dos modelos preditivos, da inteligência artificial e dos dados alternativos na gestão de crédito. O consenso foi claro: o desafio atual não está na falta de informação, mas na capacidade de organizar e transformar dados em decisões estratégicas.

Dados alternativos — como comportamento de consumo, interação digital, localização e fatores econômicos regionais — ampliam a leitura de risco e permitem análises mais precisas. Apesar da sofisticação dos modelos, os especialistas ressaltaram que o fator humano ainda desempenha papel relevante, especialmente em contextos de relacionamento próximo com o cliente.

Personalização transforma a cobrança

A cobrança personalizada foi tema de painel com representantes de Nova Era, Crisdu e Grupo Muffato. O debate destacou que a recuperação eficaz exige muito mais do que analisar o status da dívida: é preciso entender o perfil e o momento do consumidor.

O principal erro da cobrança tradicional é tratar clientes diferentes da mesma forma. Hoje, entender o comportamento do cliente é muito mais relevante do que olhar apenas para a dívida.

Fernando de Ornelas Grillo, Grupo Muffato e Zonta

A personalização não apenas aumenta a eficiência das operações, como também reduz atritos e fortalece o relacionamento com o cliente — ampliando as chances de recuperação ao longo da jornada.

Agilidade e risco: o dilema do crédito instantâneo

Com a demanda crescente por crédito ágil, empresas enfrentam o desafio de equilibrar velocidade e segurança operacional. Bruno Lozi, Founder & CEO da Credits, destacou que a análise de cobrança passou a considerar comportamentos e probabilidades, e não apenas o perfil da dívida.

Quanto mais rápido o crédito, maior o risco. O desafio é encontrar o equilíbrio entre velocidade e segurança.

Pedro Barbosa, Alvo

O painel contou ainda com a participação de Fabrício Rocha (Banco do Nordeste) e Lúcio Araújo Lustosa Vieira (Flávios Calçados), que reforçaram os desafios práticos de escalar a concessão sem comprometer a qualidade das decisões.

IA redefine o varejo e as decisões

Para encerrar o SPC Summit 2026, o especialista em varejo Alberto Serrentino apresentou uma visão estrutural sobre o impacto da inteligência artificial no setor. Na sua análise, as empresas precisarão equilibrar decisões de curto prazo com estratégias de longo prazo para se manterem competitivas.

A IA acelera a transformação e muda completamente o patamar e a velocidade das decisões no varejo.

Alberto Serrentino, especialista em varejo

Serrentino também destacou a evolução do varejo para modelos de ecossistemas de negócio, nos quais serviços, produtos e parceiros se integram em plataformas centradas no cliente e orientadas por dados. Canais físicos seguem relevantes, desde que integrados a estratégias digitais.


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