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Wem questiona a era digital em show para 30 pessoas em POA

Wem questiona a era digital em show para 30 pessoas em POA

Com apenas 30 lugares, Wem apresenta “Posto, logo existo” em Porto Alegre, propondo uma noite de criação coletiva contra a superficialidade das redes.

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Em um tempo em que postar parece mais urgente do que sentir, o músico, compositor e produtor Wem transforma essa contradição em espetáculo. No dia 15 de maio de 2026, ele desembarca em Porto Alegre com o show “Posto, logo existo”, uma apresentação intimista que cabe, literalmente, em apenas 30 cadeiras — todas elas no Teatro dos Vampiros, espaço localizado dentro do Café Mal Assombrado Poa, no Centro Histórico da capital gaúcha.

A escolha do espaço não é acidental. A capacidade reduzida é parte central da proposta: sem grades, sem distância e sem a mediação de uma tela, o encontro entre artista e público se torna o próprio material do show. É nesse ambiente que Wem investiga o paradoxo contemporâneo de uma era com excesso de informação e escassez de criação.

A subversão de Descartes nas redes sociais

O título do espetáculo subverte deliberadamente a máxima de Descartes. Se o filósofo francês afirmou “Penso, logo existo”, Wem atualiza a fórmula para os algoritmos: posto, logo existo. A premissa condensa o diagnóstico que atravessa toda a noite — a de que a necessidade de registro constante passou a substituir, em vez de registrar, a experiência vivida.

Vivemos um período de saturação em que a imagem frequentemente precede a essência, e a urgência por registrar o momento acaba esvaziando o ato de viver e de criar. Esse show nasce da necessidade de pausar a rolagem infinita e olhar nos olhos, propondo uma experiência na qual o instante não precisa ser validado por um clique, mas sim sentido coletivamente.

A música e a palavra surgem no espetáculo como ferramentas de investigação, e não apenas de entretenimento. Wem não se limita a executar um repertório fechado: a estrutura da apresentação prevê blocos de construção coletiva, nos quais quem está na plateia deixa de assistir para participar ativamente da criação.

O público como coautor

O exemplo mais direto dessa proposta é a faixa “Quero Começar”, desenvolvida em tempo real com a participação das pessoas presentes. Cada apresentação se torna, portanto, um organismo vivo — instável, inédito e impossível de replicar.

A dinâmica de compor com o público no exato momento do encontro torna cada apresentação um organismo vivo, instável e totalmente inédito. Quando dividimos a autoria ali, na frente de todos, estamos provando que a criatividade humana exige espaço, escuta e aquela vulnerabilidade que apenas o ambiente analógico pode proporcionar.

O formato exige presença plena — e entrega real. Não há possibilidade de assistir ao show de longe, física ou emocionalmente. A capacidade máxima de 30 espectadores garante que cada pessoa na sala será, de alguma forma, parte do que acontece no palco.

Entre o adulto e o lúdico

Ao longo de sua trajetória, Wem construiu uma linguagem que transita com naturalidade entre o imaginário adulto e as narrativas lúdicas. Em “Posto, logo existo”, a profundidade temática é voltada principalmente para os dilemas de quem já cresceu na era digital — mas a leveza do ambiente torna a noite acolhedora também para crianças, integralmente bem-vindas no Teatro dos Vampiros.

A abertura do Café Mal Assombrado acontece a partir das 15h. O check-in para o show começa às 18h50, com início pontual às 19h. Os ingressos, vendidos pela plataforma Sympla, custam R$ 35,00 no lote único, acrescidos da taxa da plataforma. Dada a lotação de apenas 30 lugares, a disputa pelas cadeiras deve ser acirrada.


Serviço


Wem questiona a era digital em show para 30 pessoas em POA
Foto: Divulgação
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