O Sesc Barra Mansa recebe, a partir de 3 de julho, a primeira exposição individual de Mariana Paraizo, reunindo cerca de 30 obras que investigam as fronteiras entre o espaço doméstico e o público. Com entrada gratuita, “Construir o Aberto” leva ao interior do estado uma produção contemporânea que já circulou por instituições no Brasil e no exterior, ampliando o acesso a esse circuito artístico.
nstituições no Brasil e no exterior, ampliando o acesso a esse circuito artístico.Com curadoria de Ana Carla Soler e Julia Baker, a mostra ocupa a Galeria de Arte da unidade e apresenta esculturas, fotografias, gravuras e desenhos. No dia da abertura, a artista e as curadoras estarão presentes para uma visita guiada, criando um primeiro contato direto entre público e processo criativo.
Entre o íntimo e o urbano
O eixo central da exposição está no deslocamento de sentidos. Mariana Paraizo trabalha com elementos comuns do cotidiano, retirando-os de seus contextos habituais e inserindo-os em novas relações. Calçadas, bueiros e carros passam a coexistir com camas, sofás e tapetes, criando uma tensão visual e simbólica.
Ao mesmo tempo em que encontramos signos do doméstico na rua, também levamos para dentro de casa questões que pertencem ao campo público. Meu trabalho fala desse atravessamento de fronteiras.
A fala da artista sintetiza o conceito que guia a exposição: um movimento contínuo entre territórios que, embora pareçam distintos, se atravessam constantemente. A ideia de “desvio”, mencionada por ela, aparece como motor poético, abrindo espaço para interpretações múltiplas.
Obras que tensionam materiais e significados
Entre os destaques está a obra inédita “Domo Dromo”, composta por delicadas cúpulas de lustre de vidro montadas sobre rodas, como pequenos carrinhos. A peça sugere mobilidade e fragilidade ao mesmo tempo, evocando a circulação entre interior e exterior urbano.
Outro núcleo importante é a série “Amortecimentos”, formada por oito gravuras em relevo seco feitas a partir de solas de tênis e outros sapatos encontrados na rua. Aqui, o gesto de imprimir marcas do cotidiano transforma vestígios urbanos em linguagem gráfica.
Na instalação “Condomínio”, composta por dezenas de caixas de ovos produzidas em argamassa e concreto, surgem questões ligadas a abrigo, moradia e resistência. Já no desenho “Projeto para muro”, em giz pastel oleoso sobre papel, a artista explora a superfície como espaço de projeção e limite.
Curadoria e leitura da obra
Para Julia Baker, o trabalho de Mariana Paraizo se constrói a partir do trânsito entre universos simbólicos. A curadora destaca que a artista não apenas observa os limites entre o público e o privado, mas também evidencia os pontos de encontro entre esses campos.
Esse deslocamento provoca o olhar e desperta novas interpretações.
Ana Carla Soler complementa que a força da exposição está na simplicidade dos elementos utilizados. Ao partir de referências do cotidiano, a artista cria um diálogo direto com o espectador, permitindo que cada visitante construa sua própria leitura.
O próprio título da mostra, “Construir o Aberto”, aponta para essa liberdade de imaginar novas formas de ocupar e compreender os espaços compartilhados.
Trajetória da artista
Mariana Paraizo é artista visual, pesquisadora e professora, com formação em escultura pela UFRJ e atuação contínua no campo das artes visuais. Mestre e doutoranda em Linguagens Visuais, desenvolve também projetos editoriais e intervenções urbanas desde 2014 na cidade do Rio de Janeiro.
Sua produção já passou por instituições como Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Centro Cultural de São Paulo e Museu de Arte de Ribeirão Preto. No exterior, seus trabalhos circularam por países como Canadá, França, Estados Unidos, Haiti e Argentina.
Entre seus projetos recentes está o CASA PÚBLICA, realizado a partir de editais de incentivo à cultura. A artista também acumula participações em residências importantes, como FAAP, Instituto Hilda Hilst, Despina e Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea.
A realização da exposição no interior do estado reforça a proposta do edital Sesc Pulsar de descentralizar o acesso à arte contemporânea, aproximando diferentes públicos de produções relevantes do circuito artístico.
Serviço
- Exposição de arte contemporânea
- Título: “Construir o Aberto”
- Artista: Mariana Paraizo
- Curadoras: Ana Carla Soler e Julia Baker
- Local: Sesc Barra Mansa – Galeria de Arte
- Abertura: 3 de julho (sexta-feira), das 10h às 20h, com visita guiada da artista
- Visitação: de 3 de julho a 4 de outubro de 2026
- Horário: de terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h
- Entrada gratuita
- Endereço: Av. Tenente José Eduardo, 560 – Ano Bom – Barra Mansa – RJ – CEP 27323-240
- Telefone: (21) 4020-2101
- E-mail: falecomagente@sescrio.org
