O Censurato Cabernet Sauvignon, da Vinícola Franco Italiano, conquistou seu terceiro ouro no Vinalies Internationales e se torna o único vinho brasileiro com esse feito no tradicional concurso francês.
A conquista veio na edição 2026 do Vinalies Internationales, realizada em Cannes, na França. Organizado pela União dos Enólogos da França, com patronagem da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e da VINOFED, o certame reuniu 2.654 amostras de 44 países e contou com 107 jurados de 31 nacionalidades — e está entre os mais criteriosos do mundo.
Além do Censurato, a vinícola também levou ouro com o Rodolpho Cabernet Franc, somando dois prêmios na mesma edição. Ambos os rótulos foram avaliados às cegas por especialistas internacionais, sem qualquer indicação de origem ou produtor.
Um feito inédito para o vinho brasileiro
O Censurato já havia sido premiado com ouro nas edições de 2023 e 2025. A terceira medalha consecutiva num intervalo de apenas quatro anos transforma o rótulo paranaense num caso singular na história da vinicultura nacional. Nenhum outro vinho brasileiro chegou tão longe nessa competição.
O resultado também reposiciona o mapa vinícola do Brasil. A Vinícola Franco Italiano fica em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba — bem distante da Serra Gaúcha, região historicamente associada aos grandes vinhos nacionais. Para Fernando Rausis, proprietário da vinícola, a conquista tem um significado que vai além do troféu.
Aquilo que começou como sonho se transformou em trabalho e agora em reconhecimento internacional. Todos os dias entramos na vinícola com o propósito de fazer o nosso melhor.
Fernando Rausis, proprietário da Vinícola Franco Italiano
O vinho que nasceu de uma censura
A história por trás do nome Censurato diz muito sobre o caminho percorrido. Antes de qualquer premiação internacional, o rótulo enfrentou resistência no próprio mercado brasileiro. Em degustações com rótulos identificados, o vinho era frequentemente descartado — a origem paranaense pesava contra ele. Quando servido às cegas, porém, era escolhido repetidamente como o melhor da mesa.
O paradoxo virou nome e identidade. “Percebemos que havia uma censura à origem. Transformamos isso em identidade. Hoje, o Censurato virou referência dentro da nossa história”, relembra Fernando Rausis.
Dois rótulos, duas personalidades
O Censurato Cabernet Sauvignon só é elaborado em safras selecionadas. Depois de 18 meses em barricas francesas e americanas, o vinho desenvolve notas de frutas negras, alcaçuz, toffee e nuances achocolatados e caramelizados herdados do carvalho americano. É um vinho de presença marcante, construído para durar.
Já o Rodolpho Cabernet Franc trilha um caminho diferente. Maturado por 18 meses exclusivamente em barricas francesas, o rótulo apresenta perfil mais elegante e estruturado, com aromas de especiarias, frutas vermelhas e traços florais. O nome homenageia o avô paterno da família e carrega, junto com o vinho, o peso do legado e da herança francesa que moldou a vinícola.
Segundo a vinícola, os dois rótulos compartilham uma proposta autoral: vinhos brasileiros com alma europeia, distantes do perfil mais imediato de vizinhos como Chile e Argentina, produzidos com atenção absoluta a cada etapa — do manejo do vinhedo ao engarrafamento.
Quatro gerações de história
A Vinícola Franco Italiano tem raízes no fim do século XIX. As famílias Rausis, vindas da França, e Ceccon, da Itália, trouxeram consigo a tradição da produção caseira de vinhos ao chegarem ao Brasil. O que era herança cultural virou negócio com o tempo.
Durante décadas, a empresa focou nos vinhos de mesa. A virada veio em 2005, quando a quarta geração decidiu investir também em vinhos finos. A escolha abriu uma nova fase — e uma sequência consistente de premiações nacionais e internacionais que culminou agora no feito histórico do Vinalies 2026.
Cinco linhas, múltiplos terroirs
A produção da Franco Italiano está organizada em cinco linhas de vinhos finos: Sincronia, Josephine, Censurato, Rodolpho e Paradigma — esta última em edições limitadas, guiadas pela imprevisibilidade da natureza. Na linha de espumantes, a Cuvée é produzida pelo método tradicional Champenoise.
As uvas vêm de diferentes terroirs brasileiros, escolhidos conforme as características ideais de cada variedade. Entre as regiões fornecedoras estão Porto Amazonas, Planalto Catarinense, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Campanha Gaúcha, Serra da Mantiqueira e Chapada Diamantina.
Para quem quiser conhecer a operação de perto, a vinícola oferece visitas guiadas, degustações, experiências enoturísticas e a atividade Wine Blending, em que o visitante vive um dia como enólogo e produz o próprio vinho sob orientação profissional. O espaço também conta com o Wine Garden, criado pela nova geração da família para consumo de vinhos e tábuas de frios.
Serviço
- Vinícola Franco Italiano — Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (PR)
- Rótulos premiados: Censurato Cabernet Sauvignon e Rodolpho Cabernet Franc
- Premiação: Vinalies Internationales 2026 — duas medalhas de ouro
- Concurso realizado em Cannes, França, com 2.654 amostras de 44 países e 107 jurados de 31 nacionalidades
- Atividades disponíveis: visitas guiadas, degustações, Wine Blending e Wine Garden

