Com a chegada do fim do ano e o desejo por um verdadeiro “glow-up” para as festas, cresce a busca por tratamentos estéticos naturais e procedimentos minimamente invasivos. A tendência, que já movimenta clínicas em todo o país, deve ganhar ainda mais força nas semanas que antecedem o verão e as celebrações de dezembro.
Estética natural e resultados sutis
Entre os tratamentos mais procurados estão os bioestimuladores de colágeno, os preenchimentos com ácido hialurônico e a toxina botulínica. Esses procedimentos têm conquistado pacientes que buscam rejuvenescimento e definição facial sem alterar os traços naturais. Segundo a biomédica esteta Jéssica Magalhães, que atua há dez anos com especialização em pele preta, o momento é das harmonizações discretas e identitárias. “Esses são os destaques da temporada, principalmente na reta final até dezembro”, afirma.
A profissional destaca que a procura tende a se intensificar nas regiões Sudeste e Sul, onde se concentram os maiores índices do IPCC (Índice de Consumo Potencial Cosmético), de acordo com o estudo “Cosmiatry: An analysis of the Brazilian market”, publicado pela Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.
Mercado global em expansão
De acordo com o estudo Cosmiatry, a indústria estética mundial deve movimentar cerca de US$ 63 bilhões entre 2026 e 2027, impulsionada especialmente pelos procedimentos injetáveis e de baixa complexidade. Entre eles, estão o uso de ácido hialurônico, toxina botulínica e peelings químicos, que seguem entre os preferidos dos pacientes por oferecerem resultados rápidos e naturais.
Cuidados e especificidades da pele preta
Apesar do avanço do setor, Jéssica alerta para a necessidade de um olhar mais cuidadoso sobre as particularidades da pele preta. Segundo ela, muitos protocolos ainda desconsideram fatores como densidade de colágeno, elasticidade e resposta aos ativos, o que pode comprometer os resultados. “Quando planejamos cada etapa com atenção às características da pele preta, conseguimos resultados que realçam a identidade e elevam a autoestima de forma natural”, explica.
Para a especialista, respeitar a produção de melanina e evitar traumas desnecessários são passos fundamentais. “É preciso entender que cada pele conta uma história. O que fazemos é refinar, não modificar”, reforça. Ela ainda lembra que muitas artistas negras, como Taís Araújo, IZA e Viola Davis, inspiram esse movimento de valorização da beleza madura e autêntica, sem exageros ou padrões impostos.
Beleza identitária e autoestima
Com o fim do ano se aproximando, clínicas estéticas já se preparam para uma alta na procura por procedimentos que respeitam a individualidade e oferecem resultados sutis, duradouros e equilibrados. “Nosso objetivo é que cada pessoa se veja no espelho reconhecendo sua própria história e ancestralidade. Entender essas particularidades é reconhecer a beleza afro-brasileira e o poder de se sentir bem na própria pele”, conclui Jéssica Magalhães.
