Longe das telas, livros ganham espaço nas férias e ajudam crianças e adolescentes a desenvolver criatividade, imaginação e novas formas de enxergar o mundo.
O período de descanso escolar abre espaço para experiências menos guiadas por rotina. É nesse intervalo que a leitura pode surgir de forma mais natural, sem a pressão das tarefas obrigatórias. Para Vanessa Rufino, bibliotecária da Heavenly International School, esse é o momento ideal para criar uma relação afetiva com os livros.
Quando a criança encontra uma obra que desperta seu interesse, ela passa a enxergar a leitura como uma descoberta prazerosa e não como uma obrigação.
A especialista reuniu oito títulos que atravessam diferentes faixas etárias e propõem experiências variadas, entre fantasia, humor e reflexões sobre o mundo. A curadoria inclui desde narrativas interativas até clássicos da literatura.
Primeiros contatos que viram descoberta
Para crianças da Educação Infantil, a leitura ainda é um território de descoberta sensorial. Em Spot’s Collection, de Eric Hill, histórias curtas e ilustrações ajudam a construir vocabulário e familiaridade com o inglês. Já The Napping House, de Audrey Wood, aposta na repetição e no ritmo para envolver pequenos leitores em uma narrativa cumulativa.
Histórias que pedem participação
No Ensino Fundamental I, os livros passam a convidar a criança para interagir. Mordisco: O Monstro do Livro, de Emma Yarlett, rompe a lógica tradicional ao transformar a leitura em brincadeira. Já Green Eggs and Ham, de Dr. Seuss, usa rimas e humor para estimular o aprendizado do idioma de forma lúdica.
Narrativas que ampliam o olhar
Na fase do Ensino Fundamental II, as histórias ganham camadas mais complexas. Corajosas, de Arlene Diniz, Maria S. Araújo, Queren Ane e Thaís Oliveira, apresenta trajetórias de mulheres que enfrentaram desafios e transformaram suas realidades. Em A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, a literatura aparece como refúgio em meio à Segunda Guerra Mundial.
Clássicos que permanecem atuais
Para adolescentes do Ensino Médio, a indicação recai sobre obras que atravessam gerações. Vidas Secas, de Graciliano Ramos, expõe a realidade do sertão e provoca reflexões sobre desigualdade e resistência. Já os Contos, de Machado de Assis, exploram a complexidade das relações humanas com ironia e precisão.
Mais do que cumprir metas, a proposta é criar momentos de conexão. Seja antes de dormir, durante uma viagem ou em uma tarde tranquila, o contato com histórias pode transformar o hábito de leitura em algo duradouro — e, sobretudo, prazeroso.
