A aliança controversa que transferiu a produção da maior empresa do mundo para o solo chinês tornou-se o maior nó geopolítico da tecnologia moderna.
A investigação também se apoia em documentos confidenciais, pesquisas internas e outros materiais originais obtidos por meio de fontes anônimas.
Por trás das vitrines do Vale do Silício, ergueu-se um ecossistema fabril que hoje desafia a própria soberania produtiva do Ocidente. No livro A Apple na China, recém-lançado pelo selo Livros de Valor — fruto de parceria entre a Globo Livros e o jornal Valor Econômico —, o jornalista investigativo Patrick McGee desmonta a complexa rede que transformou o território asiático na fábrica do mundo moderno.
Para reconstituir a rota que colocou 90% da manufatura da companhia em território chinês, o autor colheu depoimentos de mais de 200 pessoas ligadas aos bastidores corporativos. A base documental inclui mais de mil páginas confidenciais, com trocas diretas de correspondência envolvendo figuras centrais da liderança executiva, como Tim Cook, além de diagnósticos comparativos com outros polos, a exemplo da Índia.

O labirinto de uma dependência sem volta
Embora a marca conte com mais de 1.500 fornecedores espalhados por cinquenta países, a velocidade e a escala alcançadas na Ásia criaram uma barreira quase instransponível de substituição. Mesmo com movimentações recentes para países vizinhos como Vietnã e Índia, as etapas de montagem permanecem subordinadas às redes de suprimentos concentradas na fábrica chinesa.
A apuração relata que essa estrutura cobrou pedágios institucionais delicados, abrangendo a guarda de dados de usuários em data centers locais e a exclusão expressiva de aplicativos de suas lojas virtuais. Enquanto a gigante norte-americana consolidava seu aparato fabril, grupos regionais como a Huawei e a Xiaomi ganharam força de escala e passaram a competir de frente pela liderança do setor.
Serviço
- Título: A Apple na China
- Autor: Patrick McGee
- Selo: Livros de Valor (Globo Livros / Valor Econômico)