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Aos 69, futurista transforma a própria vida em experimento

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Viver mais já não é exceção — é regra. O desafio agora é entender o que fazer com o tempo conquistado, e é essa pergunta que move o novo livro de Beia Carvalho.

Depois de quase duas décadas ajudando empresas e governos a projetar cenários, a futurista Beia Carvalho decidiu inverter a lógica da própria carreira. Em vez de antecipar tendências, transformou a própria vida em teste. O resultado é #FUI – Morar Sozinha na Europa aos 69 anos, obra que chega ao público entre agosto e setembro de 2026 com lançamentos em São Paulo, Brasília, Bauru e Lisboa.

“#FUI não é um manual, tampouco um guia. É sobre a possibilidade de viver outras vidas dentro da mesma vida.”

O livro nasce de uma experiência contínua. Durante dois anos, a autora compartilhou sua mudança para Lisboa por mensagens de WhatsApp com mais de dois mil leitores. O que começou como relato cotidiano se transformou em uma comunidade ativa, onde dúvidas, medos e descobertas eram discutidos em tempo real.

Um livro que rompe o formato tradicional

Com 336 páginas, a obra mistura texto, mais de 160 fotografias e 79 vídeos acessados por QR Code. A proposta não é linear. A leitura pode ser feita em diferentes caminhos, aproximando o livro de uma plataforma viva, que transita entre diário, narrativa digital e conversa coletiva.

Mais do que narrar uma mudança geográfica, o projeto questiona modelos de vida ainda baseados em um século passado. A sequência estudar, trabalhar, aposentar-se parece insuficiente diante de uma expectativa de vida cada vez maior.

O tempo extra virou problema não resolvido

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a população global com mais de 60 anos deve praticamente dobrar entre 2015 e 2050. Nunca se viveu tanto. Ainda assim, o imaginário social continua preso a roteiros antigos.

É nesse cenário que a autora propõe uma mudança de perspectiva. Em vez de tratar o envelhecimento como fase final, ela sugere enxergá-lo como território de reinvenção. Um espaço onde a experiência acumulada ganha valor próprio.

Experiência como novo capital

O livro dialoga com pensadores que ampliaram a noção de capital para além do econômico. Aqui, surge a ideia de “capital de experiência”: um patrimônio construído ao longo da vida, impossível de acelerar ou replicar.

Essa perspectiva desloca a discussão da longevidade. Não se trata apenas de viver mais, mas de atribuir sentido a esses anos adicionais. A trajetória pessoal de Beia deixa de ser caso isolado e passa a refletir uma transformação coletiva.

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