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Aos 80 anos, poeta transforma memória em verso

Em Entrelinhas, Walmir Luiz Becker converte oito décadas de experiências em poesia visceral sobre amor, perda e o peso suave do tempo.

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Memória que resiste ao esquecimento

As sensações vivenciadas por Walmir Luiz Becker durante seus oitenta anos de vida e que teimam em retornar mesmo com os apagamentos naturais do tempo se transformam em poemas no livro Entrelinhas. Nascidos da dor e da alegria, do amor e do desamor, os versos são recordações poéticas de um escritor que, na velhice, continua a experimentar a própria existência.

Os textos revisitam emoções que permanecem nítidas na memória, como se estivessem acontecendo naquele momento. Ao entrelaçar temas como finitude, perda, solidão e pertencimento, a obra se conecta com o leitor a partir de sentimentos que parecem residir na própria experiência de viver.

O cotidiano como matéria-prima poética

Com uma escrita simples e direta, o poeta se preocupa em abordar o que é essencial nos seres humanos ao evocar sensações cotidianas: a expectativa da sexta-feira, a chegada do outono em abril, o som do último trem, o fim do amor que não teve a chance de começar.

Vou andando calado, / Pensando, / Pensamentos em desalinho; / Agora, como naquele passado, / Por uma rua antiga caminho, / Numa cidade que nada me diz, / A não ser que ela ainda te abriga, / E que nela foste infeliz.

O poema acima, da página 15, captura com precisão o tom da obra: a errância do pensamento que encontra no espaço urbano um espelho para a memória afetiva.

Entre Cartola, Pessoa e o Brasil profundo

Entre referências a Cartola e homenagens a Fernando Pessoa, Becker mostra como a arte desafia as imposições do tempo por meio de artistas que expõem a si mesmos para narrar sentimentos universais. O autor também retrata regiões do Brasil como espaços de melancolia e felicidade, ao escrever sobre o pôr do sol de Jericoacoara, as largas avenidas de São Paulo e a escuridão dos vales em Maratá.

Nada inventado, tudo sentido

“Tudo o que está nos meus poemas foi vivido e sentido, às vezes com alegrias, outras com tristezas. Nada foi inventado ou imaginado. Das minhas vivências nos delicados campos do amor e desamor, das minhas experiências com as mais variadas situações que o ser humano enfrenta em sua vida, nas quais, muitas vezes, fui mais espectador do que ator, disso tudo resultaram os poemas do meu livro.” — Walmir Luiz Becker

Essa declaração resume a essência de Entrelinhas: uma obra construída sobre a honestidade da experiência vivida, sem ornamentos artificiais, na qual a autenticidade é o maior recurso literário.


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