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Autor transforma riso em crime em nova distopia e retorna à Globo

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Em uma sociedade onde uma colossal muralha de gelo ameaça esmagar o Rio de Janeiro, a gargalhada se torna o maior perigo à segurança nacional, premissa que marca a nova reflexão distópica de um veterano da televisão brasileira.

O riso não é apenas uma reação física, mas uma ferramenta vital de subversão e sobrevivência. É através dessa ótica crítica que Celso Tádhei, roteirista e escritor carioca, desenvolve a narrativa de “Derrisão” (Mondru Editora). Após ser finalista do Prêmio Jabuti 2025 com sua obra de estreia, o autor agora explora as facetas sombrias do medo e do controle coletivo.

O romance usa a ficção científica e a sátira para discutir uma pergunta simples: o que acontece quando uma sociedade decide abrir mão da alegria em troca da promessa de segurança?

A trama central acompanha Tito Bastos, um roteirista de humor que vê sua vida desmoronar quando uma onda gigantesca de gelo se ergue e paralisa sobre a praia de Copacabana. Quando cientistas descobrem que as vibrações do riso humano são capazes de fragilizar a estrutura congelada, as autoridades instauram um regime opressor focado em monitorar e, por fim, banir qualquer demonstração de alegria.

A geografia do afeto sob ameaça glacial

A escolha do cartão-postal carioca como epicentro do desastre não é fruto do acaso. O dramaturgo, que tem profunda relação com a região, transformou sua memória afetiva no alicerce do apocalipse iminente. Essa tensão constante reflete fragilidades humanas e dialoga com a imaginação libertária que o inspira, evocando vozes desde o sarcasmo afiado de Machado de Assis até as construções opressoras de George Orwell e Ray Bradbury.

Para o romancista, cujo livro foi lançado oficialmente durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2026), a ausência do humor afeta diretamente a essência da humanidade. O ato de rir é apresentado como um mecanismo fundamental para a criação de laços, o enfrentamento dos traumas e o questionamento da autoridade em tempos de crise.

Novos rumos nos roteiros da teledramaturgia

Além de consolidar seu espaço na literatura fantástica nacional, o momento marca uma retomada significativa para os bastidores das telas. Com um histórico de 23 anos e projetos renomados no currículo — incluindo indicações ao Emmy Internacional —, o roteirista retorna à TV Globo para integrar a equipe criativa de Daniel Ortiz.

O novo folhetim da emissora, uma comédia romântica com estreia programada para março de 2027, focará em protagonistas femininas unindo forças para reestruturar suas trajetórias. O time colaborativo da produção conta ainda com profissionais como Flávia Bessone e Victor Atherino, que trazem experiência de grandes sucessos de época.

Paralelamente aos trabalhos na televisão aberta, o escritor também atuou como roteirista colaborador em “Paraíso Perdido”, novela original desenvolvida para a plataforma de streaming da empresa, assinada por George Moura e Sergio Goldenberg. O projeto, que está prestes a iniciar gravações, já movimenta os estúdios com um elenco de peso encabeçado por Maeve Jinkings, Juliano Floss e Alexandre Nero.

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