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Entre lembranças, crimes e segredos: “A Amizade e o Tempo” questiona o poder da memória e da verdade

Em “A Amizade e o Tempo”, o engenheiro e escritor José Eduardo Medeiros cria uma narrativa em que amizade, paixão, crime e lembrança se misturam em um jogo de espelhos entre realidade e invenção. O romance coloca em xeque a confiabilidade da memória e as fronteiras entre verdade e ficção, conduzindo o leitor por uma trama densa e emocional.

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Um cientista, uma jornalista e um passado a ser reescrito

A história começa quando Sampaio, um renomado cientista, acredita ter pouco tempo de vida e decide contratar Fernanda para escrever sua biografia. Durante as entrevistas, ele revela que a versão oficial sobre sua paraplegia pode não ser verdadeira. O que seria um relato memorialista se transforma em uma investigação sobre o passado, repleta de contradições e segredos ocultos.

Determinada a reconstruir os fatos, Fernanda mergulha em depoimentos que apontam para um plano criminoso arquitetado por Sampaio e um amigo de infância. A busca pela verdade leva a jornalista por Minas Gerais, São Paulo e até pela Grécia, em uma narrativa que alterna passado e presente e desafia o leitor a descobrir o que realmente aconteceu.

Memória, culpa e o narrador não confiável

Em um dos trechos do livro, a instabilidade do narrador se torna explícita: “Meu amigo de infância optou, então, por um caminho diferente. Decidiu contar sua história em um romance… Mesmo que se esforçasse, não seria capaz de permanecer preso à veracidade dos acontecimentos. Esta história, portanto, é livremente inspirada em fatos reais” (A Amizade e o Tempo, p. 291).

Essa ambiguidade conduz à pergunta central da obra: quem realmente foi Sampaio? Cada lembrança narrada por ele pode ser um fragmento autêntico ou uma invenção cuidadosamente construída. A dúvida constante envolve o leitor em uma atmosfera de suspense psicológico até as últimas páginas.

Um romance sobre as marcas deixadas pelo tempo

Há um ineditismo na forma como foi utilizado o conceito do narrador não confiável…”, afirma o autor. “É uma trama emocionante que mistura amizade, paixões, crimes, traições, despedidas e reencontros”.

Com ritmo envolvente e final surpreendente, “A Amizade e o Tempo” apresenta personagens complexos e temas universais — lealdade, escolhas e as marcas deixadas pelo tempo —, consolidando-se como uma leitura instigante e emocional para quem busca mais do que uma história de mistério: uma reflexão sobre o que realmente nos torna humanos.

Foto: Divulgação / José Eduardo Medeiros

Entre lembranças, crimes e segredos: “A Amizade e o Tempo” questiona o poder da memória e da verdade
Foto: Divulgação
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