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“enxame” leva corpo e animalidade à Flip 2026

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Entre colmeias, bandos e instintos, “enxame” transforma o corpo em território vivo e leva à Flip 2026 uma poesia que pensa o humano como ecossistema.

O lançamento de “enxame”, novo livro de Thaís Campolina, marca a presença da autora na Flip 2026, que acontece entre 22 e 26 de julho. Publicada pela editora orlando, a obra propõe uma leitura do corpo e do espaço doméstico como sistemas vivos, atravessados por instinto, memória e linguagem.

Dividido em seções como “A Colmeia”, “A Onça” e “O Bando”, o livro organiza sua investigação a partir de imagens zoológicas e anatômicas. A poeta constrói um percurso em que o humano não se separa do animal, mas se reconhece nele, em dinâmicas de convivência, conflito e transformação.

“Um fóssil não é uma ossada, é uma cicatriz preservada do movimento de um corpo caindo”

A frase sintetiza o gesto do livro: olhar para vestígios e processos, não para estados fixos. A escrita de Campolina se move entre escalas — da memória celular de um peixe abissal à vida cotidiana — para pensar o corpo como arquivo e campo de disputa.

Quando o coletivo vira linguagem

O livro é atravessado pela ideia de multiplicidade. No poema de abertura, Ana Estaregui sugere que o poema só se completa no encontro com o outro, instaurando uma poética que se constrói em escuta e partilha. Essa noção reaparece em imagens recorrentes de enxames e revoadas, nas quais a força está no agrupamento.

Críticas que acompanham a edição reforçam esse movimento. Dia Bárbara Nobre lê o livro como um convite à transformação interna, enquanto Bárbara Mançanares aponta para a tensão entre luz e escuridão como motor poético. Já o posfácio de Maria Emanuelle Osório Prates amplia a leitura para o campo imunológico, relacionando os versos a processos de autoataque e sobrevivência.

Entre Minas e o mundo sensível

A paisagem mineira aparece como ponto de partida. Em um dos poemas, a autora descreve um território de poeira e britadeiras, onde a busca por sentido convive com a dureza do cotidiano. Essa origem, no entanto, não limita a obra: funciona como base para uma reflexão mais ampla sobre memória, território e pertencimento.

O corpo, em “enxame”, é também lugar de tensão. Imagens de doenças autoimunes, gestação e mutação atravessam os poemas, propondo uma leitura em que o organismo não é estável, mas constantemente atravessado por forças internas e externas.

Presença na Flip

Além do lançamento, Thaís Campolina participa de atividades ao longo da programação, incluindo debates e ações coletivas. A agenda reforça o caráter relacional de sua obra, que se expande para além do livro.

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