Ícone do site Aurora Cultural

Folclore sergipano vira tragicomédia sobre traição e justiça

Folclore sergipano vira tragicomédia sobre traição e justiça

Dramaturgo D. B. Frattini publica pela 1ª vez sua dramaturgia: “Os filhos de Ema” une lenda popular, misoginia e redenção em 110 páginas imperdíveis.

Instagram
Siga o Aurora Cultural no Instagram
Seguir @auroraculturalportal

Quatro décadas de carreira e uma estreia editorial

D. B. Frattini completa quarenta anos como dramaturgo e diretor teatral com um marco inédito: a publicação de sua primeira obra dramatúrgica. Os filhos de Ema, lançado pela Caravana Grupo Editorial, chega ao Brasil depois de ter conquistado palcos canadenses e festivais internacionais na década de 1990.

A tragicomédia parte de uma fonte rica e pouco explorada: a lenda do folclore sergipano Os Três Coroados, registrada pelo sociólogo Silvio Romero em seu clássico Contos Populares do Brasil. Da tradição oral à dramaturgia contemporânea, Frattini preserva a espinha da história e injeta camadas de crítica social e emoção humana.

A história de Ema: sonho, traição e punição injusta

No sertão, três irmãs órfãs dividem um casebre e destinos opostos. Ana e Iva já carregam o peso do envelhecimento pobre e solitário. Ema, a única que ainda alimenta esperança, é ouvida pelo rei, que decide se casar com ela após ela prometer gerar três herdeiros.

A ascensão de Ema à realeza, porém, desperta a inveja das irmãs. Elas substituem os recém-nascidos por um sapo, uma cobra e um gato. Enganado, o rei condena a própria esposa a ser enterrada viva na entrada do castelo, exposta ao escárnio de todos que passam. A cena sintetiza o núcleo temático da peça: a brutalidade da misoginia institucionalizada.

“Solano tomou uma birra tacanha desse rei de vocês, um ódio que não tem medida. Pegou nojo desde o dia em que o rei mandou enterrar viva a própria mulher, a rainha Ema, que está lá na entrada do palácio para ser cuspida por quem quer que passe.” (Os filhos de Ema, p. 81)

Os filhos e o caminho da redenção

Os três bebês, lançados ao mar pelas irmãs traidoras, são resgatados por uma família de pescadores. Crescem sob feitiços e adversidades, mas protegidos pelo destino. A jornada dos trigêmeos até o reconhecimento de sua linhagem real estrutura o segundo e o terceiro atos, aproximando a peça da tragédia grega na forma e da fábula popular no espírito.

Dividida em três atos, a obra entrelaça folclore e tragédia grega para debater temas que seguem urgentes: loucura feminina, desigualdade econômica, corrupção e a resistência ao totalitarismo. A universalidade dos conflitos garante que a peça dialogue com o presente tanto quanto dialogou com os anos 1990.

A voz do dramaturgo

“Essa é a primeira publicação da minha dramaturgia. O escritor precisa mostrar todas as faces de sua escrita. Estou velho e não quero deixar a dramaturgia engavetada, não quero morrer, não quero que morra. O motivo maior é aquele tesouro que sustenta a humanidade: a memória.” — D. B. Frattini

A declaração revela não apenas a motivação pessoal do autor, mas também o peso afetivo desta publicação: um dramaturgo que decidiu, depois de quarenta anos, tirar sua obra das gavetas e entregá-la ao leitor.

Serviço

Título: Os filhos de Ema

Autor: D. B. Frattini

Editora: Caravana Grupo Editorial

ISBN: 978-65-5223-6296

Páginas: 110

Preço: R$ 70 (livro físico)

Onde comprar: caravanagrupoeditorial.com/livro/os-filhos-de-ema/

Foto: Divulgação

Folclore sergipano vira tragicomédia sobre traição e justiça
Foto: Divulgação
Folclore sergipano vira tragicomédia sobre traição e justiça
Foto: Divulgação
Sair da versão mobile