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Ilaina leva Iemanjá e resistência à Bienal da Bahia

Iemanjá em Mares Verdes chega à Bienal da Bahia e revela a festa em Fortaleza como performance afro-religiosa, memória e resistência no espaço público.

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A geógrafa e professora Ilaina Damasceno apresenta a obra “Iemanjá em Mares Verdes” na Bienal do Livro da Bahia, com sessões de autógrafos no estande do projeto Escreva, Garota!, nos dias 17/4, das 19h às 21h, e 18/4, das 10h às 14h.

O livro nasce de uma pesquisa de doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF) e parte da Festa de Iemanjá em Fortaleza, celebrada há mais de 50 anos e reconhecida como patrimônio imaterial da cidade em 2018. A obra investiga como religiões de matriz africana ocupam o espaço público como palco de resistência e afirmação cultural.

“A presença do corpo afro-brasileiro em rituais públicos é uma experiência estético-política que reinventa narrativas e territórios”, destaca a autora.

Com pesquisa de campo realizada entre 2011 e 2019, o livro mostra como a festa na Praia de Iracema vai além do rito religioso. Ela se transforma em ato de visibilidade e luta por direitos. Damasceno também enfatiza a performance dos participantes, com música, gestos e indumentárias, como uma forma de “fazer política com o corpo”.

A obra ainda aproxima tradição nordestina e ancestralidade afro-brasileira, ao mostrar como a devoção a Iemanjá, a “Grande Mãe”, fortalece identidades negras e indígenas no Ceará.

Natural de Quixadá, no sertão cearense, a autora diz que escrever o livro foi um reencontro com as próprias raízes. Hoje morando no Rio de Janeiro, ela conta que aprofundou sua vivência na umbanda e no candomblé ao longo da pesquisa, processo que também a levou a se tornar cambone em um terreiro.

Além de adaptar a tese para um formato acessível ao público não acadêmico, Damasceno prepara um segundo livro com entrevistas de pais e mães de santo organizadores da festa, previsto para novembro de 2025. “Iemanjá em Mares Verdes” também dialoga com os estudos geográficos e com o movimento negro ao evidenciar a religiosidade como instrumento de transformação social.

Na apresentação da autora, a trajetória acadêmica aparece ligada ao trabalho com relações étnico-raciais, espaço público e culturas periféricas. Ilaina é doutora em Geografia pela UFF, professora da UERJ e integra o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB). Também atua como ekedji no Ilê Asé Abraça, no Rio de Janeiro.


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