Dom de la Luz escreveu filosofia profundamente espinosiana sem nunca ter lido Spinoza. Índio Cibernético completa 15 anos de lançamento em 2026 — e carrega dentro de si cerca de 50 anos de construção interior.
O livro é o único de filosofia do autor e surfista que assina com o pseudônimo Dom de la Luz. A primeira edição impressa saiu em 2011, quando ele tinha 51 anos. Mas o pensar começou por volta dos 15 anos de idade. Em um dos passeios ao Peru, acompanhado da companheira Liz, o filósofo releu seus textos mais antigos e os considerou muito bem escritos — em especial o de filosofia.
Um Voltaire brasileiro, segundo Georges Bourdoukan
O escritor Georges Bourdoukan, autor do romance A Incrível e Fascinante História do Capitão Mouro, leu Índio Cibernético e comparou o estilo de Dom de la Luz ao do genial Voltaire. Os dois se conheceram na Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo. O elogio ganhou nova dimensão em 2016. “Não é um Zé Mané que comenta. É simplesmente o incrível e fascinante GB”, escreveu Luz sobre o reconhecimento.
Está bem escrito ou não está — e ponto. A máxima é de Oscar Wilde, autor de O Retrato de Dorian Gray. Para Dom de la Luz, a obra resiste ao tempo justamente porque nasce do pensar genuíno, não de fórmulas.
Espinosiano sem ter lido Spinoza
A frase de apoio no material de divulgação da obra sintetiza tudo: O RESPEITO A SI, AO OUTRO E À NATUREZA. Não há declaração mais espinosiana possível — e ela surge de forma intuitiva, sem qualquer leitura prévia do filósofo holandês Benedictus de Espinoza.
A racionalidade espinosiana, que vem de Descartes e aponta para a natureza como expressão do divino — o chamado Deus Sive Natura —, aparece em Índio Cibernético de forma orgânica. O jovem Dom de la Luz chegou a compor, em 1975, a canção “Acredite em Você”, com melodia e versos de tom espinosiano, sem conhecer nada do Bento de Spinoza à época.
Narrativa sui generis
Um professor de filosofia da Universidade de Passo Fundo (UPF) não soube como classificar o texto e o definiu apenas como “muito sui generis”. A narrativa confessional e reflexiva de Índio Cibernético aborda quase tudo do viver: as drogas, o ser, o social, os amores, as ilusões, o fim e o princípio.
Tudo o que é SUPREMO é tão difícil quanto raro.
A frase, extraída da Ética de Spinoza, ecoa com precisão a trajetória do autor. Os leitores de Índio Cibernético são, por definição, raros. A obra não foi escrita para receitas prontas nem para mentes que recusam o pensar.
A Ideologia dos Tolos versus a Ideologia dos Gênios
Dom de la Luz traça uma dicotomia central em sua obra: a VIS (Verdade, Inteligência e Sabedoria) contra a TIS (Tolice, Ignorância e Superstição). As duas são, nas palavras do autor, tão incompatíveis quanto escrever bem e escrever mal.
A construção de si e do ser passa por ler, pensar e se libertar da servidão — das drogas e da TIS exterior. Dom de la Luz seguiu a trilha de Spinoza e Descartes sem ter lido esses caras. E chegou a lugares muito parecidos.
Serviço
- Obra: Índio Cibernético
- Autor: Dom de la Luz
- Ano de lançamento: 2011
- Mais informações: www.abc100abc.com
