Obra da Dra. Fernanda Las Casas mostra como narrativas históricas e culturais seguem impactando a sociedade e decisões nas Varas de Família.
Livro nasce de pesquisa sobre por que dinâmicas antigas persistem
Com quase 25 anos de atuação em Direito de Família e Sucessões, a advogada e professora universitária Dra. Fernanda Las Casas apresenta no livro “Família: mitos ancestrais e crises da maternidade”, da Editora Foco, uma investigação sobre por que, apesar de mudanças legislativas e sociais, certas dinâmicas continuam a se repetir nas Varas de Família e no cotidiano das relações familiares.
Pesquisa parte da mudança de comportamento das novas gerações
O ponto de partida foi a percepção, em sala de aula, de que alunos e alunas já não demonstravam interesse em casar e ter filhos, ao contrário de gerações anteriores. Questionados, as estudantes apontaram movimentos masculinos de hostilidade às mulheres, enquanto estudantes homens citaram movimentos femininos de rejeição a relacionamentos heterossexuais. A autora levou essas inquietações ao doutorado, resultando em cinco anos de pesquisa multidisciplinar.
Construções históricas sustentam narrativas ainda ativas no presente
A pesquisa reúne aportes do Direito, Sociologia, Antropologia, História e Psicologia e conclui que a percepção de vulnerabilidade feminina e a ideia de violência masculina “natural” são construções sociais, jurídicas e narrativas historicamente repetidas como se fossem biológicas. A autora cita achados arqueológicos no Peru que demonstram a presença de mulheres caçadoras, refutando a divisão rígida de papéis atribuída à pré-história.
Para Fernanda Las Casas, “a natureza violenta do homem não é verdadeira. Era um projeto de Estado, através de uma história inventada na Antiguidade para que os homens fossem para a guerra”.
Mitos analisados explicam efeitos atuais no Judiciário e na economia
O livro trata de mitos como: a virilidade masculina construída para fins bélicos; a maternidade como missão sacralizada que leva à sobrecarga; a vulnerabilidade feminina como efeito contextual e não biológico; e o trabalho de cuidado não remunerado, que gera perdas financeiras após o divórcio e reforça desigualdades nos processos judiciais.
Crise de natalidade e impacto econômico entram na análise
A autora aponta que cerca de 50% das mulheres são demitidas após o primeiro filho, e alerta para projeções de crise demográfica a partir de 2041, quando mortes devem superar nascimentos no Brasil. Para 2050, países como Japão podem enfrentar desaparecimento populacional, enquanto China e Índia já demonstram preocupação com a queda da natalidade, com reflexos diretos sobre Previdência e economia.
Proposta do livro aponta origem do problema em mitos fundantes
Com prefácio do presidente do IBDFAM, Rodrigo da Cunha Pereira, e apresentação do Prof. Dr. Carlos Alberto Dabus Maluf, a obra defende que as conquistas legais não foram suficientes para superar desigualdades porque os pilares culturais permanecem amparados em narrativas antigas. Fernanda afirma que o acesso a dados reais permite reverter índices de violência contra mulheres, suicídio entre homens e a baixa natalidade com políticas públicas de baixo custo.


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