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Livro de Helena Taliberti transforma luto de Brumadinho em memória ativa

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Sete anos após a tragédia de Brumadinho, a escrita de Helena Taliberti desloca o luto do privado para o público e afirma a memória como forma de justiça.

Depois de perder os dois filhos e a nora grávida no rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, a economista Helena Taliberti publica “Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes”, pela Editora Ofício da Palavra. O lançamento ocorre na 24ª FLIP, em Paraty, no dia 25 de julho, às 11h30, na Casa Ofício. O livro articula memória, amor e resistência, propondo reflexão sobre perdas traumáticas e a necessidade de não esquecer.

“Na perda há uma dor ácida que vem com a ruptura… Mas, no amor, há uma paz doce e plena, como um farol que ilumina intensamente o caminho.”

A publicação vai além do relato autobiográfico. A autora constrói um texto que dialoga com outras experiências de luto e se posiciona como um chamado para que tragédias não se repitam. Em outro trecho, sintetiza: “A dor é o eco de um amor que não encontrou mais o seu destino físico, mas que se recusa a silenciar”.

Um livro que se abre para muitas vozes

A obra reúne três prefácios que ampliam a leitura do percurso de Helena. A jornalista Cristina Serra destaca a construção de um relato que percorre a vida familiar e os valores dos filhos. Daniela Arbex, que investigou o desastre em livro, enfatiza a dimensão humana da dor. Já a psicóloga Maria Helena Pereira Franco reflete sobre o ato de tornar público um luto íntimo e seus efeitos sobre outras histórias.

O posfácio é assinado por Vagner Diniz, companheiro de Helena e pai afetivo de Camila e Luiz, que aponta a leitura como um convite a reavaliar prioridades e afirmar o sentido da vida.

Da perda à ação coletiva

Após a tragédia de 25 de janeiro de 2019, Helena e Vagner criaram o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), junto a amigos dos filhos. A entidade atua na preservação da memória das 272 vítimas e na defesa da vida e do meio ambiente.

Entre 2023 e 2025, o instituto realizou a exposição “Paisagens Mineradas”, reunindo obras de 12 artistas mulheres e circulando por diferentes cidades. Também promove anualmente a Mostra Cinema, Mineração e Meio Ambiente e o Ato pela Memória, na avenida Paulista, sempre em 25 de janeiro.

Debate na FLIP amplia a discussão

O lançamento será acompanhado do painel “Semear futuros, cultivar a vida”, com participação da jornalista e escritora Jéssica Moreira e do jornalista Jamil Chade, com mediação de Aline Midlej. A proposta é ampliar o debate sobre luto, memória e responsabilidade social diante de desastres.

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