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Livro disseca legado de JK e questiona custos do desenvolvimentismo

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Cinquenta anos após a morte de Juscelino Kubitschek, uma nova obra literária propõe desvincular o carisma e a força simbólica do ex-presidente dos custos fiscais e institucionais deixados pelo seu modelo econômico.

O imaginário nacional consolidou a figura de Juscelino Kubitschek em torno do lema de avançar décadas em poucos anos de mandato, da interiorização promovida pela nova capital e da chegada das montadoras automotivas ao país. Contudo, essa narrativa é confrontada no livro “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, assinado por Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza e lançado pela LVM Editora.

O maior equívoco é transformar Juscelino em um personagem que não pode ser criticado. JK foi relevante, tinha talento político, conduziu grandes projetos e marcou o país. O ponto do livro é questionar se o modelo desenvolvimentista adotado por ele deve continuar servindo como referência.

A análise foca na atuação do Estado como indutor central da industrialização, combinando aportes públicos e atração de recursos externos. Ao mapear passagens de JK pela Prefeitura de Belo Horizonte, pelo Governo de Minas Gerais e pelo Palácio do Catete, os pesquisadores investigam a consolidação de incentivos, subsídios e protecionismo que aproximaram o poder estatal de grupos econômicos específicos.

O preço da aceleração e a meta-síntese

O Plano de Metas direcionou recursos para setores como transporte, energia e indústria de base. De acordo com registros históricos, o crescimento médio da economia superou 7% ao ano no período. No entanto, o ritmo acelerado impulsionou desequilíbrios: levantamentos do CPDOC apontam que a inflação média anual saltou de 13,5% no período de 1948 a 1955 para 22,4% ao longo do governo JK, além da contração de dívidas externas de curto prazo.

Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília sintetizou essas contradições. Embora tenha representado um projeto urbanístico e político de integração nacional, demandou vultosos recursos públicos em um cenário de carências estruturais em áreas como saneamento, saúde e educação.

Debates contemporâneos e memória

A obra conecta o modelo da época a dilemas atuais sobre responsabilidade fiscal, eficiência do gasto público e limites do intervencionismo econômico. Os autores sustentam que o aumento de despesas pode dinamizar a produção momentaneamente, mas cobra seu preço quando resulta em perda de produtividade e inflação.

O ex-presidente faleceu em 22 de agosto de 1976 em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. Embora apurações oficiais tenham apresentado conclusões divergentes ao longo das décadas sobre as circunstâncias do desastre, os autores ressaltam que tais desdobramentos não alteram a necessidade de avaliar criticamente a política econômica deixada como herança.

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