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Livro mergulha na história periférica do bairro Pindorama

O 43º volume da coleção “BH. A Cidade de Cada Um” chega às margens da capital e resgata a memória do bairro Pindorama, escrito por quem cresceu lá.

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Um bairro pouco presente no imaginário de Belo Horizonte, mas fundamental para compreender sua formação social, ganha protagonismo no livro “Pindorama”, o novo volume da coleção “BH. A Cidade de Cada Um”. Assinada pelo escritor e pesquisador Ewerton Martins Ribeiro, a obra propõe um mergulho na história e nas dinâmicas de uma das regiões periféricas da capital mineira, situada no limite com Contagem.

O lançamento acontece neste sábado, 25 de abril, às 11h, na Livraria Quixote, na Savassi, com a presença do autor e venda de exemplares a R$ 50. A obra foi viabilizada com o patrocínio da empresa MGS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Uma narrativa construída de dentro

Mais do que um registro histórico, a publicação nasce de uma experiência vivida. Morador do bairro desde a infância, Ewerton constrói uma narrativa que parte de dentro, combinando memória pessoal, investigação e reflexão crítica sobre a cidade.

A ideia de escrever sobre o Pindorama nasceu da minha própria experiência do bairro e de sua situação periférica no contexto amplo da cidade.

Com formação em Jornalismo e doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais, onde atua como servidor, o autor buscou equilibrar rigor analítico e linguagem acessível. O livro se estrutura como um ensaio que atravessa diferentes campos: da Geografia à Sociologia, sem renunciar sua dimensão literária.

“Busquei fazer um livro que apresentasse o bairro de forma objetiva, mas também sensível, mais próximo do ensaio literário do que de um estudo puramente acadêmico”, explica o escritor.

O peso do aterro sanitário na formação do bairro

O Pindorama se consolidou a partir de fluxos migratórios de trabalhadores vindos de áreas rurais e de populações deslocadas de outras ocupações urbanas. Ao longo das décadas, desenvolveu uma dinâmica própria, marcada pelo trabalho informal e por uma economia doméstica que ainda hoje define a paisagem local.

Por muito tempo, o bairro ficou associado quase exclusivamente ao antigo aterro sanitário de Belo Horizonte, desativado em 2007. Para Ribeiro, esse elemento foi determinante para a configuração do território.

A cidade deliberadamente empurrou para uma parcela desprivilegiada da população a obrigação de processar, objetiva e subjetivamente, todo o lixo produzido pelo conjunto da urbe.

Ao longo da obra, histórias de moradores ajudam a construir uma visão humanizada do território, sem reduzi-lo a estereótipos. Em vez de destacar personagens isolados, o autor revela o bairro como uma construção coletiva, marcada por experiências singulares que, juntas, narram uma história maior.

Periferia como território de desigualdade estrutural

Outro ponto central do livro é a reflexão sobre as desigualdades estruturais da cidade. Para Ribeiro, as transformações ao longo do tempo não alteraram profundamente a lógica de funcionamento das periferias.

As ações do poder público mantêm essas regiões como áreas supermonitoradas e subatendidas. Não se busca emancipar, mas manter a periferia como produtora de mão de obra barata.

“Pindorama” não apenas recupera memórias, mas também tensiona o presente, propondo uma leitura crítica das relações entre Centro e periferia. “O Centro está para a periferia assim como a classe dominante está para a classe explorada”, resume o autor.

Um marco para a coleção “BH. A Cidade de Cada Um”

Ao integrar a coleção, a obra marca um novo momento do projeto editorial: é a primeira vez que a série alcança um bairro situado nos limites geográficos da capital. “Isso ajuda a construir uma ideia mais ampla do que é Belo Horizonte como conjunto”, destaca Ribeiro.

Lançada em setembro de 2004 e idealizada pelos jornalistas José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião, a coleção da Conceito Editorial constrói a memória afetiva de BH por meio de textos literários. Cada autor é escolhido por sua identificação com o tema, partindo de vivências pessoais para retratar bairros, lugares e personagens da capital mineira.


Serviço

Livro mergulha na história periférica do bairro Pindorama
Foto: Ewerton Martins Ribeiro
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