O poeta pernambucano Abel Menezes apresenta ao público paulistano, no dia 12 de junho, uma obra que escapa às formas tradicionais do livro. “Quase”, publicado pela Zanzar Edições, surge como um livro-objeto que combina poesia, música e artes visuais em uma experiência pensada para ser explorada com as mãos, os olhos e os ouvidos.
O lançamento acontece na Livraria Acervo, em Pinheiros, reunindo leitores em torno de um projeto que marca não apenas mais um título na trajetória do autor, mas também um momento de maturidade criativa. Aos 77 anos, Abel propõe um trabalho que amplia os limites do fazer poético ao incorporar diferentes linguagens em um único suporte.
Um livro que se abre como sanfona
Concebido pelo próprio autor, “Quase” tem formato de sanfona, com páginas que se desdobram como o fole de um instrumento musical. A escolha não é apenas estética: ela dialoga diretamente com o conteúdo da obra, que reúne 373 poemas curtos, entre haicais e aforismos, muitos deles pensados para serem cantados.
Os poemas são distribuídos de cinco em cinco por página, criando um ritmo de leitura fragmentado e dinâmico. O leitor é convidado a percorrer o livro de forma não linear, explorando suas duas faces — cada uma com quase 50 páginas — como quem manipula um instrumento.
Parte do acabamento foi realizada artesanalmente, reforçando o caráter de objeto artístico. A proposta remete diretamente à tradição da sanfona de oito baixos, trazendo uma dimensão tátil que raramente aparece em publicações contemporâneas.
Diálogo entre poesia e imagem
Entre os blocos de poemas, o livro apresenta intervenções visuais assinadas pelo artista Petrônio Cunha. As ilustrações são compostas por poemas gráficos criados a partir de recortes e colagens, estabelecendo uma conversa direta com os textos de Abel Menezes.
Essa interlocução entre linguagens não se limita ao miolo da obra. Ela também aparece na capa, na quarta capa e nas aberturas e fechamentos das duas faces do livro-sanfona, ampliando a experiência estética e reforçando o caráter híbrido do projeto.
A expressividade do trabalho gráfico contribui para criar uma leitura expandida, em que palavra e imagem se complementam e tensionam, sem hierarquia definida.
Poemas que também se ouvem
“Quase” também se estende para além do papel. Um QR code impresso no livro dá acesso a 67 poemas em formato de áudio, interpretados pelo próprio Abel Menezes em uma fala-canto que aproxima poesia e música.
O material sonoro foi desenvolvido com direção e concepção do músico e compositor Raphael Costa, criando um desenho sonoro que dialoga com a proposta do livro. As gravações contam ainda com participações especiais de Marcelo Jeneci e Gilu Amaral.
https://open.spotify.com/track/5X0pfj2452D21oVgbpgib4?si=iP-ZQk8SS-uUItN0s_nCBQ
https://www.youtube.com/watch?v=JOysnDFVK64
A presença do áudio amplia a experiência do leitor, que passa a interagir com os poemas em múltiplas camadas sensoriais.
Trajetória e continuidade
Publicado com coordenação de Maria Alice Amorim, escritora e fundadora da Zanzar Edições, o livro reafirma o papel da editora na produção cultural que conecta literatura, artes visuais e cultura popular. A partir do Recife, a Zanzar tem desenvolvido projetos que valorizam experimentações e formatos não convencionais.
“Quase” também se insere na longa trajetória de Abel Menezes, iniciada em 1987 com a publicação do poema “Recife” no livro “Álbum do Recife”. Desde então, o autor construiu uma obra que transita entre poesia, música e reflexão antropológica.
Nascido em Caruaru e radicado em Olinda, Abel é poeta, letrista e médico, com formação acadêmica em Antropologia pela UFPE e pela PUC-SP. Ao longo das décadas, publicou títulos que consolidaram sua presença na cena literária brasileira, mantendo uma produção ativa e diversa.
Com tiragem de 600 exemplares e preço de R$ 130,00, “Quase” se apresenta não apenas como um livro, mas como um objeto que sintetiza diferentes dimensões da criação artística contemporânea.
Serviço
- Lançamento do livro-objeto “Quase”
- Autor: Abel Menezes
- Local: Livraria Acervo – Rua Artur de Azevedo, 723 – Pinheiros, São Paulo – SP
- Data e horário: Dia 12 de junho, das 17 horas às 20 horas
