Com trajetórias que conectam vivências íntimas a debates estruturais, o quarto livro de Luana Génot transforma reflexões sobre raça, gênero e afeto em um convite aberto à quebra de certezas.
O deslocamento de sentidos e a necessidade de questionar o que parece consolidado conduzem as páginas de Denegrindo Ela, obra lançada pela Editora Astral Cultural. A publicação reúne 64 crônicas escritas por Luana Génot durante os sete anos em que atuou como a primeira colunista negra da Revista ELA, publicação do jornal O Globo.
Denegrir pensamentos, para mim, é criar nuances. É olhar de novo para aquilo que parecia óbvio, questionar, deslocar e ressignificar.

O exercício de deslocar certezas
Fundadora do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), a autora explora episódios do dia a dia para destrinchar dinâmicas complexas da sociedade. Os textos partem de episódios sobre maternidade, mercado de trabalho, vida profissional e relações interpessoais para examinar temas como racismo institucional, pertencimento e visibilidade.
A formulação do título propõe uma retomada crítica do próprio vocábulo. Com raiz etimológica em “tornar negro”, o verbo adquiriu historicamente conotações pejorativas ligadas à difamação. O livro contrapõe essa associação ao apresentar a negritude como campo de multiplicidade, complexidade e contrastes, resgatando referências do pensamento negro brasileiro, a exemplo da psiquiatra e escritora Neusa Santos Souza.
Vozes que ampliam o debate
Além das narrativas assinadas por Luana, o volume agrega contribuições externas que dialogam diretamente com as questões levantadas nos textos. Participam da publicação nomes como Maju Coutinho, Fátima Bernardes, Michel Alcoforado e Marina Caruso, expandindo os eixos de discussão em torno das vivências contemporâneas.
Serviço
- Livro: Denegrindo Ela
- Autora: Luana Génot
- Editora: Astral Cultural
- Formato: 64 crônicas reunidas
- Disponibilidade: Livrarias físicas e plataformas digitais
- Preço: A partir de R$ 64,90