O artista ítalo-brasileiro apresenta “Anni Venti”, livro e documentário com textos inéditos de duas décadas, no Museu do Amanhã, em 13 de abril.
O artista ítalo-brasileiro Lucio Salvatore apresenta, na segunda-feira, 13 de abril, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o livro e o documentário média metragem “Anni Venti”. O evento tem apoio institucional do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro e acontece no Observatório, das 16h às 19h.
“Anni Venti” é um recorte inédito de anotações, notas e reflexões pessoais escritas pelo próprio Salvatore ao longo de vinte anos de trajetória artística. Textos nascidos próximos aos processos criativos e não destinados à publicação, que chegam agora ao público pela primeira vez.
Um acesso direto ao pensamento em busca de forma
Segundo o Instituto Italiano de Cultura Rio de Janeiro, é justamente a natureza original e não mediada desses registros que torna o projeto particularmente intenso. Não se trata de uma reconstrução externa da trajetória do artista, mas de um acesso direto ao seu pensamento.
Por muito tempo, a prática de Lucio Salvatore se desenvolveu longe da lógica da visibilidade mediada. Seu trabalho circulou por exposições, residências e eventos, sem ser acompanhado por uma narrativa explícita. “Anni Venti” marca um passo decisivo nessa trajetória, abrindo caminho para uma conversa mais ampla e consciente com o público.
Em diálogo com o documentário homônimo, que reúne fragmentos de imagens filmadas em tempo real e que sobreviveram à perda de material documental do arquivo do artista, o projeto é um convite a participar de um processo de pesquisa vivo e atual.
Duas décadas de arte entre o Brasil e a Itália
Salvatore vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Sant’Elia Fiumerapido, na Itália. Ao longo de vinte anos, sua produção atravessou museus, igrejas medievais e espaços públicos, sempre com gestos carregados de crítica política e poética.
Entre os projetos em destaque em “Anni Venti” está “Defeito de Identidade”, exibido em 2025 em Brasília e São Paulo, com pinturas que investigam as políticas de identidade, migração e deslocamento. A exposição confronta as forças que moldam as percepções de pertencimento e exclusão.
“Fluxo Gênico” (2022), no Museu do Meio Ambiente, Rio de Janeiro, surgiu como gesto de resistência à tentativa de transformar o museu em hotel de luxo pelo então Ministro Ricardo Salles. Seu acontecimento abriu caminho para a criação do novo Museu do Jardim Botânico.
“Campo” (MNBA, 2021) foi um projeto de ativação para transformar o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em hospital de campanha para realização gratuita de testes para o vírus SARS-CoV-2.
Em 2021, “Artemide” foi apresentada na Igreja de Santa Maria Maggiore, do século XIII, em Sant’Elia Fiumerapido. A exposição proporcionou uma experiência histórico-espiritual, convidando à meditação sobre a força de sobrevivência dos ancestrais identificados com os afrescos do século XIII que resistiram ao tempo, ao abandono, à guerra e à pilhagem. O título remete à obra homônima, um mosaico feito com pedaços de papelão de embalagem da marca Artemide.
Central na história de Salvatore, a exposição “Metalementi” (2017–2018), curada por Fernando Cocchiarale no Museu de Arte Moderna (MAM) Rio de Janeiro, integrou as comemorações dos 70 anos da instituição. A mostra representa o elo entre os primeiros trabalhos, como as “Combustões”, e os mais conceituais, como “Post-ar”, “Autoesquemas” e o “Quadrado Preto”.
A exposição “Parque Lage” ocupou o Palazzo Pamphilj, sede da Embaixada Brasileira em Roma, que concedeu simultaneamente a Galeria Portinari e a Galeria Cortona para uma seleção de trabalhos desenvolvidos durante os anos de influência determinante da Escola de Artes Visuais Parque Lage.
Em 2016, na individual “Arte Capital”, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, e na feira ArtRio, Salvatore apresentou pela primeira vez a série “Price Fields”, obras realizadas com etiquetas de preço cujo valor total corresponde à soma dos preços indicados.
Em 2015, “Fragmento”, no Centro Cultural Correios, trouxe os “Jogos de Arte” e obras icônicas como “Post_ar”, caixas de ar enviadas pelos Correios que chegaram a ser taxadas pela Receita Federal brasileira.
No MuBe – Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia, em São Paulo (2011), e no Centro Cultural Correios (2010), Salvatore apresentou “O ponto de vista da vida após a morte”, uma série de retratos realizados com o próprio sangue dos retratados, classificados conforme as autodeclarações de identidade dos participantes.
Não uma reconstrução externa da trajetória do artista, mas um acesso direto ao pensamento em busca de forma.
Serviço
- Evento: Lançamento do livro e documentário “Anni Venti”, de Lucio Salvatore
- Data: Segunda-feira, 13 de abril de 2026
- Local: Museu do Amanhã — Observatório, Rio de Janeiro
- Programação: 16h recepção na entrada | 16h30 café de recepção | 17h falas iniciais | 17h20 exibição do vídeo | 18h Q&A | 18h20 café de encerramento
- Apoio institucional: Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro
