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Novo romance de Thainá Fernandez ganha lançamento no Rio e na Flip

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Contemplado por um edital público de incentivo à cultura, o romance Beijada pela maré, da escritora carioca Thainá Fernandez, chega ao público com lançamento marcado no Rio de Janeiro e presença confirmada na Flip 2026. A obra, que mistura fantasia, romance e crítica social, coloca no centro da narrativa uma protagonista autista e levanta reflexões sobre pertencimento e exclusão em ambientes acadêmicos.

O primeiro evento acontece no dia 26 de junho de 2026, das 19h às 21h, na Janela Livraria, no Shopping da Gávea. Aberto ao público, o lançamento contará com sessão de autógrafos da autora. Já em julho, o livro será apresentado na Festa Literária Internacional de Paraty, no dia 25, às 11h, na Casa da Leitura e do Conhecimento SECEC RJ.

Uma história sobre afeto e deslocamento

Com 244 páginas, o romance acompanha Nina Meireles, uma jovem de 21 anos que cursa Biologia Marinha e recebe um diagnóstico tardio de autismo. Após enfrentar dificuldades dentro da universidade, ela decide se afastar temporariamente e passa um período em Paraty, na pousada da tia-avó.

O que começa como uma tentativa de recuperação ganha novos contornos quando Nina conhece Azul, uma misteriosa criatura marinha que não consegue retornar ao oceano. A relação entre os dois conduz a protagonista a questionar a necessidade constante de adaptação para ser aceita.

“Beijada pela maré é sobre sentir que está prestes a se afogar antes de encontrar um último fôlego e nadar de volta à superfície”

Fantasia com crítica ao ambiente acadêmico

Além dos elementos fantásticos e da construção de um romance, o livro incorpora uma crítica direta à lógica meritocrática presente no meio acadêmico. Ao longo da narrativa, Nina enfrenta barreiras institucionais, falta de adaptações e questionamentos constantes sobre sua condição.

A obra propõe uma inversão de perspectiva ao deslocar o foco da adaptação individual para a responsabilidade dos ambientes que se dizem inclusivos, mas frequentemente excluem pessoas neurodivergentes.

Temas como saúde mental, amadurecimento e amor-próprio atravessam a narrativa. A autora destaca a busca por conexão mesmo diante da sensação de não pertencimento.

“Falo sobre amadurecimento, afeto, amor-próprio e a sensação de não pertencer completamente a lugar nenhum, mas ainda assim encontrar amor e a possibilidade de conexão onde menos se espera”

O mar como símbolo central

Ambientado entre laboratórios universitários e as paisagens litorâneas de Paraty, o romance utiliza o mar como elemento narrativo fundamental. Ele surge ao mesmo tempo como ameaça, espaço de transformação e possibilidade de acolhimento.

As referências que inspiram a obra incluem “A Pequena Sereia”, de Hans Christian Andersen, e “A Forma da Água”, de Guillermo del Toro. Ainda assim, a narrativa se ancora em uma realidade brasileira, marcada pela cultura fluminense e pelos desafios enfrentados por jovens pesquisadores.

Escrita atravessada pela experiência

Diagnosticada tardiamente com autismo, Thainá Fernandez constrói sua protagonista a partir de vivências e questionamentos próprios. A autora evita abordagens idealizadas e aposta em uma personagem complexa, com fragilidades e conflitos que vão além da condição neurológica.

Com 35 anos, a escritora nasceu e vive no Rio de Janeiro. É bióloga, mestre em Ciências pela UERJ e pós-graduada em Escrita Criativa. Desde 2020, publica de forma independente e já lançou os romances “Minha vida improvisada” (2022) e “Mensageiro do legado” (2023), ambos com protagonismo autista e destaque entre os mais vendidos da Amazon.

Em 2025, foi finalista do concurso Livros do Futuro, promovido pelo TikTok. Beijada pela maré marca seu terceiro romance e o primeiro viabilizado por incentivo público.

“Políticas públicas de incentivo à literatura são divisoras de águas. Existe a minha carreira antes e a minha carreira depois de ter sido contemplada por esse edital”


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