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O livro que viaja no tempo para explicar o Brasil

Em “A maldição da mandioca”, Thaís Vieira de Souza usa ficção científica para dissecar séculos de imediatismo econômico e propor um novo futuro para o Brasil.

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Uma São Paulo perfeita e um herói ainda perdido

O ano é 3050. São Paulo se transformou em um polo de tecnologia e desenvolvimento sustentável. Moradia digna, segurança, educação e saúde são garantias para todos. Mesmo assim, Max — o protagonista de A maldição da mandioca — sente um vazio profundo.

Perdido durante a escrita de sua tese de doutorado, ele recebe uma proposta irrecusável: retornar ao passado para presenciar a formação do Brasil. O orientador promete que a viagem renderá um projeto de pesquisa valioso. Max aceita. E o que ele encontra muda tudo.

Uma viagem pelos ciclos da história brasileira

A narrativa conduz o leitor por alguns dos capítulos mais decisivos do país. Max atravessa a chegada dos portugueses no século XVI, a corrida do ouro em Minas Gerais, a Proclamação da Independência, a era Vargas, o plano de metas de Juscelino Kubitschek e o regime militar.

Em cada parada, o herói identifica o mesmo padrão. Desde o período colonial, decisões políticas e econômicas foram guiadas por uma cultura imediatista, marcada pela ausência de planejamento de longo prazo. A conclusão que Max alcança é incômoda: o Brasil passou por três ciclos distintos — Império, República e Redemocratização — e repetiu os mesmos erros em cada um deles.

O complexo de vira-latas coletivo

Eu realmente vejo que a sociedade brasileira, com o tempo, pareceu ter sido treinada para ter uma baixa autoestima, com aquela velha crença de que ‘aqui nada dá certo’, de que aqui nada muda e nada funciona. A cada solução imediatista e a cada promessa que não se realiza, reforçamos esse padrão. É uma espécie de complexo de vira-latas coletivo, onde nos acostumamos com esse ciclo sem fim. Nos tornamos passivos e agimos somente se a crise ficar insuportável. E, o pior é que agindo desse jeito, a crise invariavelmente chega. (A maldição da mandioca, p. 143)

Ficção econômica com base em dados reais

A autora Thaís Vieira de Souza define a obra como uma “ficção econômica”. O rótulo é preciso: o livro combina elementos clássicos da literatura — jornada do herói, amor, descoberta e aventura — com uma análise fundamentada em pesquisa documental e estatística.

O resultado é uma leitura que funciona como romance e como ensaio ao mesmo tempo. Ao acompanhar Max, o leitor é convidado a refletir sobre seu próprio papel na construção do país.

“Quero que, ao virar cada página, o leitor se reconheça, se questione e encontre a clareza sobre o que, de fato, o trava e o impede de crescer individualmente e como nação. A obra é um convite urgente para uma jornada de descoberta sobre o futuro que podemos construir. Acredito que quando finalmente entendemos nossas próprias raízes e as do nosso país, ganhamos o poder de reescrever a história”, explica a autora.


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O livro que viaja no tempo para explicar o Brasil
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