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Passamai volta à poesia com livro sobre pandemia

Passamai volta à poesia com livro sobre pandemia

Depois de mais de duas décadas longe da poesia, Marcelo Passamai retoma o gênero com “Ponto Final”, livro que mergulha nas marcas emocionais deixadas pela pandemia de Covid‑19. O lançamento acontece na quinta-feira, dia 28 de maio, às 19h, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, com entrada gratuita.

Com 76 páginas, a obra propõe uma leitura contínua, sem divisões por capítulos, conduzindo o público por uma travessia lírica que tensiona razão e existência. Ao revisitar sentimentos como angústia, medo e transformação, Passamai constrói um panorama íntimo de um período que alterou profundamente a forma de viver e perceber o mundo.

O retorno à poesia

Natural do Rio de Janeiro e radicado em Florianópolis desde 1989, Marcelo Passamai tem uma trajetória consolidada na literatura. Sua relação com a escrita começou ainda na faculdade de Jornalismo, quando passou a participar de concursos e a se destacar como contista e poeta.

Antes de “Ponto Final”, o autor publicou quatro livros: “Faca Cega” (1993), “Descobrindo Açores” (1999), “Inventário Feminino” (2002) e “Reportagens Inesquecíveis” (2014). Ao longo de mais de 30 anos de atuação, acumulou prêmios e homenagens que reforçam sua presença no cenário cultural.

O novo título marca não apenas um retorno, mas também uma reinvenção. Ao revisitar a poesia, Passamai o faz a partir de um contexto histórico recente e ainda sensível, transformando experiências coletivas em expressão individual.

Poesia no pós-pandemia

Em “Ponto Final”, a pandemia não aparece apenas como pano de fundo, mas como força estruturante da obra. Os poemas refletem inquietações que emergiram durante o isolamento, explorando a fragilidade humana e as mudanças na percepção do cotidiano.

“Existiria poesia no pós‑pandemia? Esse livro diz que sim, sempre haverá poesia, enquanto olhos e corações otimistas, cheios de sentimentalidades, existirem”

A reflexão proposta pelo autor parte de uma pergunta central: como seguir após um período de ruptura global? A resposta não surge de forma direta, mas se constrói ao longo dos versos, em uma narrativa sensível que convida o leitor a revisitar suas próprias experiências.

As ilustrações que acompanham o livro foram criadas com o uso de Inteligência Artificial. Segundo Passamai, as imagens dialogam com o conteúdo dos poemas e funcionam como extensões visuais das emoções presentes no texto.

“São molduras que valorizam ainda mais os versos e as palavras”, afirma o autor, destacando a integração entre linguagem poética e tecnologia como um dos elementos que singularizam a obra.

Lançamento em espaço simbólico

O local escolhido para o lançamento reforça o caráter simbólico do livro. A Fundação Cultural Badesc, situada no Centro de Florianópolis, é reconhecida como um dos principais espaços de promoção artística em Santa Catarina.

Para Passamai, lançar “Ponto Final” ali amplia o significado do momento. O autor associa a instituição a um papel fundamental na valorização da cultura e na construção de identidade.

“Para mim, a Fundação é mais do que uma instituição: é um símbolo de resistência e valorização da cultura. É a prova de que investir em arte é investir em pessoas, em identidade e em futuro”

O edifício que abriga a Fundação também carrega relevância histórica. Construído no final da década de 1920, o casarão foi residência de Nereu Ramos, único catarinense a assumir a Presidência da República.

Essa conexão entre passado e presente é destacada pelo escritor como parte da experiência do lançamento. Para ele, o espaço contribui para criar uma atmosfera que dialoga diretamente com a proposta do livro.

“Eu não consigo entrar nesse espaço sem sentir o peso e, ao mesmo tempo, a leveza da história. Hoje, esse mesmo espaço abriga encontros, ideias e manifestações artísticas, conectando passado e presente de forma quase poética”

A escolha do local, portanto, não é apenas logística, mas parte da narrativa que envolve “Ponto Final” — uma obra que olha para o passado recente enquanto busca novas formas de expressão no presente.


Serviço


Passamai volta à poesia com livro sobre pandemia
Foto: Divulgação
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