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Romance conecta imigração italiana e memórias familiares

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Entre travessias e silêncios, “A Dupla Ausência” conecta gerações marcadas pela migração e pelo que ficou por dizer.

O novo romance de Magda Medeiros mergulha em histórias atravessadas por deslocamentos físicos e emocionais. “A Dupla Ausência” será lançado em 6 de agosto, às 18h, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, reunindo leitores em torno de uma narrativa que articula memória, pertencimento e herança familiar.

Com 202 páginas e publicado pela Editora Patuá, o livro parte da grande migração italiana para Santa Catarina no fim do século XIX e dialoga com deslocamentos contemporâneos motivados por trabalho e busca de identidade.

“Eu sou neta de um italiano que veio pequeno para o Brasil com a sua família, fugindo das condições difíceis da Itália naquela época.”

Quando a história íntima encontra a coletiva

A ficção nasce do encontro entre pesquisa, imaginação e vivências pessoais da autora. A ideia ganhou força em 2024, durante uma viagem de navio saindo do Rio de Janeiro rumo à Itália, experiência que reativou memórias familiares e abriu caminho para a construção narrativa.

No centro da trama está Teresa, personagem que cresce sob o peso do silêncio materno. Já na velhice, a mãe decide revelar fragmentos da trajetória da família: a travessia entre continentes, os primeiros anos no Brasil e as lacunas deixadas pelo tempo. Em paralelo, Teresa repete movimentos semelhantes, reforçando a ideia de ciclos que atravessam gerações.

Silêncios que atravessam gerações

A narrativa explora temas como migração, relações familiares, feminilidade e o peso dos não-ditos. Ao articular passado e presente, o romance propõe uma leitura sobre como histórias individuais se conectam a processos históricos mais amplos.

Este é o segundo romance de Magda Medeiros. O anterior, “Íris d’água” (2023), recebeu menção honrosa no International Latino Book Awards em 2024. A autora também participou das antologias “Palavras oceânicas”, “Lendo em dias de chuva” e “Antologia alada”.

Da odontologia à escrita contínua

Natural de Gravatal/SC e residente em Florianópolis há quatro décadas, Magda construiu carreira na área da saúde. Graduada em Odontologia pela UFSC, atuou por anos na rede pública como dentista e preceptora. A escrita, presente desde a adolescência, ganhou centralidade durante a pandemia, quando passou a investir em formação literária.

O lançamento na Fundação Cultural Badesc tem significado simbólico para a autora, que associa o espaço à preservação de memórias — um eixo central do livro.

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