O Museu de Arte Moderna de São Paulo reabre sua sede no Parque Ibirapuera e retoma, junto com ela, um dos programas mais tradicionais de formação artística gratuita da cidade.
Chama-se Ateliê Aberto. E volta reformado, modernizado e com uma missão clara: transformar o museu em espaço de formação, experimentação e inclusão.
As inscrições abrem em 1º de setembro e seguem até 21 de setembro de 2026. Todas pelo formulário de cada oficina. Os encontros começam em outubro, na sede do MAM, no Parque Ibirapuera.
Metade das vagas é reservada
O programa é voltado para maiores de 18 anos. Oferece oficinas, cursos e vivências em diferentes linguagens artísticas, com foco em desenvolvimento de portfólio, reflexão crítica e aproximação com a produção contemporânea.
Mas o diferencial está na regra de acesso. Metade das vagas é reservada para pessoas negras, indígenas, transgêneras, com deficiência, idosas ou em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com renda familiar de até dois salários mínimos.
A seleção das pessoas participantes será realizada pela equipe do MAM Educativo com base em critérios socioeconômicos.
O Ateliê Aberto integra as ações do projeto Igual Diferente. Reafirma, assim, a vocação pública e pedagógica do museu.
Um projeto inédito com a Universidade de Leeds
Nesta edição, chega ao MAM o projeto Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea. É uma parceria com a Universidade de Leeds, no Reino Unido.
A proposta cria um ateliê voltado para pessoas com deficiência intelectual e autismo. O objetivo é apoiar o desenvolvimento das produções artísticas desses participantes ao longo de 20 encontros, entre outubro e maio.
O curso é realizado em colaboração com a Dra. Jade French, da Universidade de Leeds, e a Dra. Viviane Panelli Sarraf, pesquisadora da mesma universidade e professora colaboradora do PPGMus-USP e da PUC-SP/PUC Minas. Integra o projeto de pesquisa internacional Inclusive Art for Wicked Problems.
- Datas: 09/10, 16/10, 23/10, 30/10, 06/11, 13/11, 27/11, 04/12, 19/02, 26/02, 05/03, 12/03, 19/03, 02/04, 09/04, 16/04, 23/04, 30/04, 07/05 e 14/05
- Sextas-feiras, das 14h às 16h30 – 20 encontros
O corpo como linguagem na performance
O curso Processos de Criação em Performance é conduzido por Elisa Band e Gabi Costa. Acontece de 06/10 a 26/11, terças e quintas, das 14h às 16h, em 16 encontros.
A proposta mistura teatro, dança, música e artes visuais na criação de cena. Os participantes ampliam repertório criativo por meio de experimentações individuais e em grupo, borrando fronteiras entre arte e vida.
Elisa Band é performer e encenadora formada em Artes Cênicas pela Unicamp. Foi fundadora do grupo K, dirigido por Renato Cohen, e residente da Akademie Schloss Solitude, na Alemanha, em 2015. É doutora pela ECA-USP e diretora da Cia. Teatral Ueinzz.
Gabi Costa é atriz e diretora negra formada pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Investiga diálogos entre dramaturgia e psicanálise. Assina o solo “Cíclico” (2023) e dirige “A Solidão do Feio” (2024).
Modelar sem depender dos olhos
O curso de Escultura, com Rogério Ratão, acontece de 06/10 a 26/11, terças e quintas, das 10h às 12h, em 16 encontros.
A proposta trabalha diferentes técnicas de modelagem em argila para criação de esculturas em cerâmica. O foco está na experiência tátil: a visão deixa de ser central, dando espaço a uma percepção mais ampla do corpo.
Os participantes desenvolvem peças de pequeno porte ao longo do curso. No fim, as peças são queimadas em alta temperatura. Não é preciso ter experiência prévia.
Rogério Ratão estudou escultura com o artista plástico Angel San Martín e depois se dedicou à cerâmica. Fez sua primeira individual no Centro Cultural São Paulo em 1995. Desde 2011 ministra aulas de escultura no MAM.
Gravura popular, moderna e latino-americana
O curso Xilogravura – Popular, Moderna e Contemporânea, com Claudia Rangel e GamaH, acontece de 07/10 a 09/12, às quartas, das 10h às 12h, em 10 encontros.
A proposta articula a produção popular brasileira, a gravura moderna e contemporânea e suas relações com a arte latino-americana. Os participantes têm contato com aspectos históricos, técnicos e conceituais da xilogravura, além de exercícios práticos ligados a diferentes matrizes estéticas.
Claudia Rangel é artista visual, xilogravurista e educadora, mestra em Multimeios e doutoranda em Artes Visuais pela Unicamp. Há mais de dez anos pesquisa temas ligados ao feminino, à natureza, à memória e à cultura popular brasileira.
GamaH, artista visual formado em Arquitetura e Urbanismo, investiga relações entre materialidade, geometria, percepção e espaço. Sua produção dialoga com o concretismo e o neoconcretismo, em interlocução com nomes como Lygia Pape, Lygia Clark e Hélio Oiticica.
A escrita como território de resistência
O curso Em Contos – Escrita Criativa, com Plínio Camillo, acontece de 09/10 a 04/12, às sextas, das 10h às 12h, em 8 encontros.
A proposta é voltada à criação e análise de contos curtos. Trabalha escrita autoral, sensível e crítica, explorando estrutura, personagens e estilo, com estímulo à escuta coletiva e ampliação do repertório literário.
A escrita era mais do que linguagem: era sobrevivência, denúncia e construção de identidade.
Plínio Camillo nasceu em Ribeirão Preto e tem formação em Letras e Teatro. Fundou a editora Notas de Escurecimento e foi finalista do Prêmio Jabuti com Pretos em Contos – Volume 2. Apresenta o programa Notas de Escurecimento no YouTube, dedicado à literatura negro-brasileira.
Serviço
- Inscrições: de 1º a 21 de setembro de 2026, pelos formulários de cada oficina
- Local: MAM São Paulo, Parque Ibirapuera
- Gratuito e presencial
- Processos de Criação em Performance: 06/10 a 26/11, terças e quintas, 14h às 16h
- Escultura: 06/10 a 26/11, terças e quintas, 10h às 12h
- Xilogravura: 07/10 a 09/12, quartas, 10h às 12h
- Em Contos – Escrita Criativa: 09/10 a 04/12, sextas, 10h às 12h
- Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea: 09/10 a 14/05, sextas, 14h às 16h30
