As últimas apresentações de “Quando Eu Era Mulher”, de Mariana Rosa, acontecem nos dias 17 e 18 de junho, no Teatro Estúdio, em São Paulo, marcando o encerramento de uma temporada que mobilizou o público com relatos reais sobre violências contra mulheres. O monólogo segue agora para o Rio de Janeiro, ampliando o alcance de uma obra que nasceu nas redes sociais e encontrou no palco um novo espaço de escuta e confronto.
Construído a partir de experiências compartilhadas por milhares de mulheres, o espetáculo parte da repercussão da série viral “Meu nome é Mariana e eu sou…”, transformando histórias íntimas em uma narrativa cênica potente. A montagem aborda violências cotidianas, relações abusivas e os efeitos persistentes da desvalorização feminina em diferentes contextos da vida social.
Do digital ao palco: uma experiência coletiva
A origem do espetáculo está em uma vivência pessoal da artista, marcada por um relacionamento abusivo. A partir desse ponto, o projeto se expandiu com a participação do público, que enviou relatos durante a circulação dos vídeos nas redes. Esse material passou a integrar a dramaturgia, criando um mosaico de vozes femininas que atravessam diferentes realidades.
Ao levar essas histórias para o teatro, Mariana Rosa propõe uma continuidade do diálogo iniciado no ambiente digital, agora mediado pela presença física e pela experiência coletiva da plateia. O resultado é uma obra que se constrói no encontro, tensionando o silêncio que muitas vezes envolve essas vivências.
“Abrir esse processo teatral e personificar o encontro através da presença, é um movimento de potencializar essa troca e dar voz a tantas ‘Marianas’.”
Múltiplas vozes em cena
No palco, a atriz transita entre diferentes versões de “Marianas”, personagens construídas a partir das histórias recebidas. Essa multiplicidade dá forma a uma encenação que combina elementos do absurdo com uma estética minimalista, deslocando o olhar do público para aspectos muitas vezes naturalizados nas relações cotidianas.
O espetáculo evidencia mecanismos sutis de controle, desvalorização e violência que atravessam ambientes afetivos, familiares e profissionais. Ao evitar uma abordagem linear, a montagem cria rupturas que convidam à reflexão, colocando o espectador diante de situações reconhecíveis e, ao mesmo tempo, desconfortáveis.
Teatro como espaço de escuta e provocação
“Quando Eu Era Mulher” também se insere em um contexto mais amplo, dialogando com o aumento dos índices de violência contra a mulher no país. Ao transformar relatos íntimos em experiência cênica, a obra amplia o debate público e reforça a importância de criar espaços de escuta e visibilidade.
Com duração de 60 minutos e classificação indicativa de 16 anos, o monólogo aposta na identificação e no incômodo como caminhos para estimular autonomia e ruptura com ciclos abusivos. A proposta não busca respostas fáceis, mas provoca o reconhecimento e a reflexão a partir de vivências reais.
Últimos dias em São Paulo
Após temporada na capital paulista, o espetáculo realiza suas últimas sessões antes de seguir para o Rio de Janeiro. A despedida marca não apenas o fim de uma etapa, mas a continuidade de um projeto que se reinventa a cada novo encontro com o público.
As apresentações finais acontecem em duas noites consecutivas, mantendo a proposta intimista que tem marcado a recepção do espetáculo desde sua estreia.
Serviço
- Espetáculo: “Quando Eu Era Mulher”, de Mariana Rosa
- Datas: 17 e 18 de junho (quarta e quinta-feira)
- Horário: 20h
- Local: Teatro Estúdio | Rua Conselheiro Nébias, 891, Campos Elíseos, São Paulo
- Ingressos: R$ 80 (inteira)
- Duração: 60 minutos
- Classificação indicativa: 16 anos
- Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/119915/d/387464/s/2563759

