A tradução da identidade nacional em peças contemporâneas ganha força ao afastar estereótipos visuais e colocar a matéria-prima brasileira no centro do design autoral.
A discussão sobre como transformar referências culturais em objetos de desejo ganha novos contornos na criação da Garn. Ao apostar no couro de pirarucu para confeccionar bolsas com silhuetas próprias, a marca reposiciona uma matéria-prima tipicamente regional em um contexto de sofisticação que dialoga com o movimento brasilcore sem cair no óbvio.
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Existe uma diferença entre usar uma referência brasileira e construir algo que tenha identidade brasileira. Para mim, o segundo caminho é muito mais interessante, porque permite que a cultura apareça de forma natural no design, sem precisar ser óbvia.
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A colocação é de Giovana Arnaud, CEO e diretora criativa da marca, que destaca a importância de tratar elementos culturais não como aplicações literais, mas como linguagem estrutural. Cores, texturas e técnicas deixam de funcionar apenas como símbolos superficiais para se integrarem à concepção funcional e sensorial das peças.

Matéria-prima regional como linguagem visual
A utilização do couro de pirarucu se destaca pela textura marcada e propriedades singulares do material. Em vez de ser tratado como artesanato folclórico, o elemento é inserido em propostas de acessórios como os modelos Nez e VU Rouge, estruturados a partir de formas orgânicas e construção artesanal.
Essa mudança reflete um comportamento de consumo cada vez mais atento à procedência e à narrativa dos produtos. Em vez de buscar referências exclusivamente fora do país para definir o que é sofisticado, a valorização das bases locais passa a orientar o desenvolvimento de coleções que encontram autenticidade na própria origem.

O brasilcore além da aparência
O fenômeno brasilcore, amplamente difundido pelo uso de cores e símbolos esportivos em anos recentes, alcança uma etapa mais madura quando encontra a manufatura e o design autoral. A estética deixa de ser um modismo passageiro e assume papel relevante na construção de um repertório sólido para a moda brasileira contemporânea.
Apresentada oficialmente em 18 de setembro, a perspectiva defendida pela marca pontua que a verdadeira contemporaneidade surge do equilíbrio entre matérias de origem local e formas inovadoras, convertendo características naturais em peças de impacto duradouro.