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Importados dominam casacos e atingem 37% do valor no varejo de moda

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A fatia de roupas estrangeiras no varejo nacional avançou para 37% de todo o valor movimentado nas lojas em 2026, puxada principalmente pelo predomínio em peças de outono-inverno.

O avanço das peças vindas de fora do país redesenhou as vitrines das grandes redes brasileiras de vestuário nos últimos anos. De acordo com a auditoria em pontos de venda realizada pelo IEMI – Inteligência de Mercado, a presença dos artigos internacionais subiu de 20% para 26% em volume de peças entre 2022 e 2026. Em faturamento nominal, a fatia foi ainda mais expressiva: cresceu oito pontos percentuais no mesmo intervalo, saltando de 29% para 37% do valor total registrado nas lojas pesquisadas.

A indústria brasileira reúne uma estrutura produtiva ampla e diversificada, e o fornecimento internacional também pode funcionar de forma complementar, de acordo com as características de cada produto e com a estratégia de composição das coleções.

A concentração é particularmente marcante nas coleções de clima frio de 2026. Na categoria de suéteres masculinos, as etiquetas internacionais representaram expressivos 89% das unidades disponíveis e 90% do valor movimentado. Entre os modelos femininos do mesmo item, a proporção bateu 80%. O cenário de dependência externa se repete em jaquetas e casacos, onde os importados compõem 78% da linha feminina (81% do valor) e 72% das opções masculinas.

Importados dominam casacos e atingem 37% do valor no varejo de moda
Foto: Magnific

O avanço em nichos específicos de consumo

A transformação no abastecimento das araras não ficou restrita aos casacos pesados e espalhou-se por nichos de grande apelo comercial. Na linha infantil voltada a bebês, a participação de itens importados subiu de 36% para 41% das peças entre 2025 e 2026, com o valor saltando de 43% para 56%. No segmento plus size feminino, a presença de unidades estrangeiras mais que dobrou, passando de 13% para 29% das araras, equivalendo a 36% do valor movimentado na categoria.

As peças confeccionadas em malharia também sentiram a pressão competitiva externa, alcançando 42% do valor monetário registrado em 2026, diante dos 35% apurados no ciclo anterior. A análise desenvolvida pelo diretor do instituto, Marcelo Prado, destaca que a leitura precisa considerar tanto as unidades físicas quanto a rentabilidade de cada nicho.

O recuo pontual e o fôlego da indústria local

Apesar da curva ascendente nos itens pesados e em nichos infantis, o fornecimento global não avançou de forma homogênea por todos os departamentos de confecção. O segmento de moda íntima, meias e pijamas trilhou o caminho inverso: as peças importadas despencaram de 27% para 13% do total de unidades entre 2025 e 2026, indicando uma recomposição direta a favor da produção fabril instalada no país.

Essa disparidade revela um mercado varejista dinâmico, que calibra suas compras mesclando prazos de entrega, custos logísticos, capacidade produtiva interna e posicionamento estratégico de estoque para equilibrar as araras ao longo do ano.


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