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A canção do Rappa que virou ainda mais urgente em 2026

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Marcelo Lobato relança “Intervalo Entre Carros”, composição gravada por O Rappa em 2016, com novo olhar sobre a vulnerabilidade feminina no espaço urbano.

O músico, compositor e produtor Marcelo Lobato lança nesta sexta-feira, 27, o single “Intervalo Entre Carros”. A canção mergulha na paisagem urbana para retratar a invisibilidade, a solidão e a vulnerabilidade de uma mulher à espera de um ônibus em meio ao fluxo impessoal da cidade.

Escrita há anos por seu irmão Marcos Lobato e inicialmente gravada por O Rappa em 2016, a música retorna agora em nova leitura. O peso da narrativa só cresceu diante do cenário contemporâneo.

Uma personagem anônima no centro da cidade

A faixa acompanha uma personagem sem nome — “uma menina mulher que não anda de salto” — observada em silêncio, entre carros, poças d’água e olhares atravessados. A cena é simples, mas a canção transforma esse cotidiano em retrato sensível e inquietante.

A presença de um “cavalheiro” descrito como alguém que “planeja um assalto” adiciona camadas à narrativa. Afeto, sobrevivência e marginalidade se cruzam em versos que transitam entre a descrição crua e a subjetividade da personagem.

“A ideia de uma mulher frágil, sozinha e silenciosa à espera de ônibus, num lugar qualquer da cidade, esquecida e desumanizada frente ao fluxo dos carros, talvez seja ainda mais forte hoje, em dias mais agressivos.” — Marcos Lobato, compositor

Silêncio que se tornou mais cortante

Para o compositor, o tempo só reforçou a urgência da canção. “‘Intervalo entre carros’ tornou seu silêncio mais cortante nos dias de hoje”, afirma Marcos Lobato.

Ele explica ainda a escolha narrativa de inserir a figura do “cavaleiro”: “Tentei sugerir sua subjetividade particular e afetividade em meio à violência do esquecimento, ao citar seu parceiro, seu cavaleiro, possivelmente um contraventor.”

A faixa reafirma a habilidade de Marcelo Lobato em transformar cenas aparentemente simples em narrativas densas. A música dialoga com questões sociais, afetivas e urbanas, construindo atmosferas que transitam entre o íntimo e o coletivo.


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A canção do Rappa que virou ainda mais urgente em 2026
Foto: Rodrigo Ferraz. Design: abs (@alvaresbrandingstudio)
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