Anitta encerra EQUILIBRIVM com “Renascer”, ato que une Oxum, Bahia e memórias da infância em parceria com Liniker, Luedji Luna e Melly.
O quarto e último capítulo da narrativa audiovisual do álbum novo de Anitta chega nesta quinta-feira, ao meio-dia, e amarra o projeto em torno de cura, espiritualidade e brasilidade. No volume final, a cantora apresenta as faixas “Ternura”, “Bemba” e “Caminhador”, em parceria com Melly, Luedji Luna e Liniker, respectivamente, num medley pensado como fechamento simbólico de uma travessia afetiva e ancestral.
O título “Renascer” nasce justamente dessa ideia de renovação depois da jornada. Depois de vídeos anteriores marcados por diferentes etapas da obra, o novo ato aposta em imagens de sonho e arte para traduzir o que vem depois da travessia: a transformação. “Esse quarto ato de ‘EQUILIBRIVM’ reúne músicas que falam sobre cura. Cada uma das músicas interpreta esse conceito de uma forma diferente”, resume Anitta.
Na leitura da cantora, “Ternura” encontra cura no amor, “Bemba” fortalece a ancestralidade brasileira e “Caminhador” celebra a fé. A diretora criativa Nídia Aranha reforça esse fechamento ao definir o capítulo como uma celebração do que permanece vivo: a ancestralidade como alimento, a arte como oferenda e a fé como caminho de transformação.
Uma oferenda sonora a Oxum
O caminho começa com “Ternura”, faixa que costura amor e espiritualidade por meio da referência a Oxum, orixá do amor e mãe de Logun Edé, identificado no universo religioso ligado à cantora. A divindade também é lembrada como rainha das águas doces, dos rios e das cachoeiras, e é justamente essa força que guia a estética do vídeo.
“Para esse vídeo, usamos da natureza, do rio, das folhas e flores para criar uma espécie de altar imersivo a Oxum. E as caixas de som flutuando na água são quase que uma oferenda a ela”, explica Anitta. Os adereços que aparecem em cena, feitos com elementos naturais e usados em figurinos, canoas e flutuantes, foram desenvolvidos pela artista paraense Labô Young.
A própria cantora destaca o clima da faixa como um gesto de acolhimento. “É uma música sobre sentir-se salva pelo amor, num estado interno de doçura”, diz. Melly, que assina a composição, lembra o processo em estúdio e a troca sobre o momento vivido por Anitta durante a criação da canção.
“Ternura” abre o capítulo com delicadeza, mas também com densidade. Os arranjos, segundo Anitta, convidam à reflexão e ao abraço de si mesma. No vídeo, essa sensação ganha forma em um cenário que transforma água, vegetação e som em rito visual.
Bahia, afeto e ancestralidade
Se “Ternura” mira o campo espiritual, “Bemba” leva o projeto para uma celebração explícita da ancestralidade afro-brasileira. A faixa destaca sobretudo a Bahia, sua culinária e suas expressões culturais, enquanto Anitta e Luedji Luna dividem a cena em um encontro que valoriza a força da brasilidade.
Para Luedji, a parceria amplia a visibilidade de uma história que vem de várias gerações. “Esse trabalho é continuidade de várias gerações que ergueram a bandeira das matrizes africanas. Mas que, com Anitta, sendo uma artista de projeção internacional, ganha mais impacto”, afirma a cantora. Ela também diz ser uma honra participar de uma canção que simboliza a Bahia e tudo o que o estado representa.
O vídeo ainda traz a representação da capoeira, reforçando a homenagem às brasilidades que nascem do estado mais negro do país. A combinação entre comida, dança e símbolos culturais constrói uma narrativa de pertencimento, sem perder o refinamento visual que marca o projeto inteiro.
É nesse ponto que o quarto ato deixa claro seu gesto central: fazer da memória cultural uma imagem viva. Em vez de apenas ilustrar referências, o filme as organiza como celebração e permanência.
Memórias de força
“Caminhador” encerra o conjunto em tom mais íntimo, com leveza e afeto. A faixa fala sobre a fé de Anitta em si mesma e sobre a convicção de que a vida melhora para quem segue adiante, e essa ideia se transforma em um desfile de memórias afetivas ao longo do vídeo.
Entre os figurinos, surge o look feito de copinhos de plástico que a cantora usou aos oito anos, em um concurso escolar. Anitta recorda que a família enfrentava dificuldades financeiras e que o desfile do Festival da Primeira era a chance de conquistar uma bolsa de estudos. “Pedi pra minha mãe fazer pra mim, daí veio o look de copinhos”, conta.
Na lembrança da artista, a vitória veio “na base do carisma”, apesar de outras meninas estarem com roupas mais produzidas. Para ela, aquele episódio foi decisivo na própria trajetória e potencializou outras conquistas da vida. A canção, então, passa a dialogar com resiliência, persistência e construção de identidade.
A produção amplia esse gesto ao reunir figuras emblemáticas do imaginário popular brasileiro em uma grande quadrilha: caboclos de lança do maracatu, folia de reis e cavalhada de Pirenópolis. O resultado é uma ode viva às manifestações culturais do país, agora embaladas pela ideia de caminhada contínua.
Serviço
- O quê: quarto e último ato audiovisual de EQUILIBRIVM, de Anitta.
- Faixas: “Ternura”, “Bemba” e “Caminhador”.
- Participações: Melly, Luedji Luna e Liniker.
- Estreia: nesta quinta-feira, ao meio-dia.
- Créditos de foto: Divulgação.
