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BatuQ leva samba, tambores e ancestralidade à quadra da Mangueira

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Os tambores vão falar na quadra da Estação Primeira de Mangueira no próximo dia 20 de junho. É quando acontece mais uma edição do BatuQ em Verde e Rosa, evento que transforma o Palácio do Samba em um palco de memória, resistência e celebração da cultura afro-brasileira — com show do grupo Fruta do Pé e dos cantores Thiago Soares, Wallace Jr. e Kinho Malta.

A iniciativa reúne dois territórios com histórias profundamente ligadas à identidade do samba carioca: a Mangueira, uma das escolas mais tradicionais do Brasil, e a BatuQ Casa de Samba, a “casa amarela” da Penha que desde 2019 atua como polo de resistência cultural na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Um encontro de legados

A Mangueira não é apenas uma escola de samba. Ao longo de décadas, consolidou-se como um território de produção cultural, educação popular e fortalecimento comunitário. O BatuQ em Verde e Rosa surge como uma extensão natural desse legado, promovendo o encontro entre gerações em torno do conhecimento, da musicalidade e do pertencimento cultural.

A presidenta da escola, Guanayra Firmino, resume bem o espírito do evento:

A Mangueira sempre foi muito mais do que uma escola de samba. Somos um espaço de preservação da memória, de valorização da cultura negra e de formação de pessoas. O BatuQ representa exatamente isso: a oportunidade de celebrar nossas raízes, compartilhar saberes e mostrar que a cultura popular segue viva, pulsante e fundamental para a construção da nossa identidade.

Do outro lado, a BatuQ nasceu em 2019 no bairro da Penha com uma proposta clara: ser mais do que entretenimento. O espaço se firmou como ponto de encontro comunitário, fortalecimento de artistas e preservação do samba de raiz nas periferias do Rio. Além da unidade na Penha, a casa também mantém um espaço em Niterói.

A força dos tambores como resistência

O evento chama atenção especial para o papel dos tambores na história afro-brasileira. Presentes em manifestações culturais que atravessaram séculos de opressão e sobrevivência, eles carregam narrativas de luta, fé e celebração. Mais do que instrumentos musicais, os tambores são arquivos vivos de uma memória coletiva que o BatuQ se propõe a honrar e projetar para as próximas gerações.

Ao abrir suas portas para o evento, a Mangueira reafirma seu compromisso com a valorização do patrimônio cultural brasileiro e com o reconhecimento da contribuição dos povos africanos e afrodescendentes na formação da sociedade e da identidade nacional.

Quem sobe ao palco

Fruta do Pé

Fundado em março de 2017 por jovens da Zona Oeste do Rio, o Centro de Cultura Negra Fruta do Pé nasceu com o objetivo de exaltar o protagonismo negro no samba, trabalhando com um repertório centrado em compositores e compositoras negros. Além dos shows, o projeto oferece oficinas de capoeira, percussão e samba no pé, e mantém uma escola de música com aulas de harmonia, teoria musical, sopro, cavaquinho, violão, canto e teclado.

Thiago Soares

Ex-integrante dos grupos Bom Gosto e Clareou, Thiago Soares é apontado como um dos principais compositores da nova geração do samba. Sua trajetória mistura samba romântico e partido-alto com uma desenvoltura que o consolidou como nome promissor da cena atual, especialmente desde que passou a apresentar seu trabalho à frente da própria banda.

Wallace Jr.

Com mais de 30 anos de carreira, Wallace Jr. começou como percussionista e chegou a ocupar o posto de vocalista do conceituado Grupo Raça, após a saída de Délcio Luiz. Figura ativa na cena do samba e pagode carioca, ele tem faixas marcantes como “Juntando os Pedaços” e “Degrauzinho por Degrauzinho”, além de projetos ao vivo com artistas como Renato da Rocinha.

Kinho Malta

Cantor, compositor e percussionista, Kinho Malta integrou o grupo Antes Samba Que Mal Acompanhado e colaborou com Mumuzinho na canção “Mal Resolvida”. Em carreira solo, vem ganhando destaque com os singles “Reciclando Amor” e “Contrariando o Coração”, além de projetos audiovisuais gravados ao vivo na própria BatuQ Casa de Samba. Sua música transita entre o samba tradicional e o pagode contemporâneo com identidade própria.


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