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Carlos Malta relança álbum histórico e celebra 50 anos no palco

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O som que ajudou a redefinir a música instrumental brasileira retorna às plataformas digitais enquanto ganha corpo no palco em uma celebração de cinco décadas.

O multi-instrumentista Carlos Malta inicia as comemorações de 50 anos de carreira com o relançamento de O Escultor do Vento, seu primeiro álbum solo. O show acontece no Festival de Inverno, no Teatro Rosinha de Valença, em 31 de julho de 2026, reunindo um quinteto e a participação de Giuliano Eriston.

Explorar os limites do sopro e transformar o ar em ritmo e narrativa é a base da linguagem que atravessa toda a obra de Malta.

Disponível pela primeira vez no streaming, o álbum foi gravado entre 1996 e 1997 e lançado originalmente em tiragem limitada. Agora remasterizado pela Mills Records, amplia o acesso a um trabalho que consolidou Malta como um dos principais nomes do sopro no país.

Quando o sopro virou linguagem própria

Lançado em 1997, o disco marcou a transição após sua saída do grupo de Hermeto Pascoal. Com participações de Lenine, Jane Duboc, Guinga, Nico Assumpção, Nelson Faria, Leandro Braga e Robertinho Silva, foi reconhecido pela crítica e apontado entre os melhores discos instrumentais do ano pelo jornal O Globo.

A proposta sonora vai além da execução tradicional: em faixas como “Isso aqui o que é?/Na Cadência do Samba”, Malta constrói camadas rítmicas apenas com instrumentos de sopro, sem o uso de percussão convencional. Essa abordagem deu origem ao apelido que acompanha sua trajetória.

O álbum também ganhou lançamento internacional em 1998, sob o título Jeitinho Brasileiro, ampliando sua circulação fora do país.

Um palco que conecta gerações

No espetáculo, Malta divide a cena com Lui Coimbra (violoncelo), Aline Gonçalves (flautas), Cliff Korman (piano) e Bernardo Aguiar (percussão), além do convidado Giuliano Eriston nos vocais, violão e flauta. O repertório percorre o álbum relançado e outras obras marcantes da carreira.

A apresentação propõe uma leitura viva da trajetória do artista, articulando diferentes fases e formações em uma mesma narrativa musical.

Um percurso entre tradição e invenção

Nascido no Rio de Janeiro, Carlos Malta construiu uma carreira que atravessa fronteiras sonoras e geográficas. Domina saxofones, flautas, clarinete baixo e instrumentos como o pife brasileiro, o shakuhachi japonês e a di-zi chinesa.

Ao longo de cinco décadas, lançou 25 álbuns, fundou grupos como Pife Muderno e Coreto Urbano e se apresentou em palcos como Carnegie Hall e Forbidden City Concert Hall. Também colaborou com nomes como Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Dave Matthews Band, Snarky Puppy, Michel Legrand e Chucho Valdéz.

O relançamento de O Escultor do Vento reposiciona o disco no presente, permitindo que novas audiências acessem uma obra que articula lirismo, experimentação e identidade brasileira.

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