A 22 dias da abertura dos portões, o Rock in Rio já doou 500 mil pratos de comida e lançou uma campanha para multiplicar esse número por quatro até o encerramento do festival.

O Rock in Rio reforça neste ano seu compromisso histórico com o movimento “Por Um Mundo Melhor” e anuncia uma série de iniciativas que ampliam o impacto do festival para além da música. A principal delas é a campanha “Um Mundo Melhor é um Mundo sem Fome”, criada em parceria com a Ação da Cidadania e lançada com a meta de mobilizar o público para alcançar a marca de 2 milhões de pratos de comida doados.

O festival já deu o primeiro passo com a doação de 500 mil pratos e agora convoca os fãs a entrarem na corrente. Pela ação “Eu Vou Doar”, cada R$ 25 destinados à Ação da Cidadania dá ao participante uma chance de concorrer a um par de ingressos para o Rock in Rio, com até 1.000 ingressos sorteados ao longo da campanha.
A mobilização também passa pela loja de Produtos Oficiais do festival: a cada peça vendida da coleção de camisetas Por Um Mundo Melhor, 50 pratos de comida são destinados à causa.

Para tornar o esforço visível ao público, foi instalado nesta quinta-feira, na Cidade do Rock, um Pratômetro, painel que contabiliza em tempo real as doações realizadas até o fim do festival, no dia 13 de setembro.

O número por trás do apelo

A escolha da causa não é aleatória. Segundo dados oficiais do IBGE citados pela organização, 54,7 milhões de brasileiros convivem com algum nível de insegurança alimentar, e 6,48 milhões enfrentam a fome propriamente dita. É esse cenário que orienta a fala de Roberto Medina, presidente e criador da Rock World, ao justificar a nova frente do festival.
“Mais do que a gente alimentar pessoas, o que a gente faz se trata de esperança. […] A fome tem pressa”, diz Roberto Medina, presidente e criador da Rock World.
Medina recorda que o vínculo do festival com causas sociais remonta a 1985, quando o Rock in Rio surgiu em meio ao processo de redemocratização do país. Para ele, a força do evento sempre esteve ligada à capacidade de mobilizar pessoas em torno de uma ideia coletiva, e a edição de 2026 segue essa lógica ao transformar engajamento de público em pratos de comida.
Uma parceria que completa 25 anos
A união entre Rock in Rio e Ação da Cidadania ganha um significado especial em 2026: são 25 anos de trajetória conjunta no combate à fome e na mobilização social. A parceria já havia se destacado na edição de 2024, quando o Dia Brasil esteve associado à doação de R$ 1,5 milhão à Ação da Cidadania — equivalente a 1,5 milhão de pratos de comida, que beneficiaram 90.349 pessoas em sete estados.

Daniel de Souza, presidente da Ação da Cidadania, associa a força da parceria à capacidade de comunicação do festival. Para ele, transformar a energia gerada pela música em alimento é o que permite que a solidariedade ultrapasse os portões da Cidade do Rock e chegue a quem mais precisa.

Drones, leilão e o fechamento da edição



No último dia de festival, 13 de setembro, a Cidade do Rock recebe uma atração inédita: antes do terceiro show do Palco Mundo, 1.500 drones vão voar a 300 metros de altura, ocupando uma extensão de até 400 metros de largura. O espetáculo, com 10 minutos de duração, é descrito pela organização como o maior já realizado dentro de um festival na América Latina e vai gerar cerca de 10 imagens distintas em celebração ao propósito Por Um Mundo Melhor.

Também neste ano, o tradicional leilão Fans For Change — que reúne experiências e itens assinados ou usados por artistas — terá toda a arrecadação da edição revertida para a Ação da Cidadania. Os itens serão adicionados à página do leilão ao longo do festival, e a iniciativa já acumulou, ao longo das edições, mais de R$ 1,5 milhão destinados a causas sociais.
Uma causa que muda a cada ano, mas nunca sai de cena
O compromisso do Rock in Rio com um mundo melhor nasceu junto com o próprio festival, em 1985, e ganhou forma oficial em 2001, quando o propósito Por Um Mundo Melhor foi consolidado. Naquele ano, os três minutos de silêncio realizados durante o evento se tornaram um dos momentos mais lembrados de sua história, simbolizando o uso da música como ferramenta de mobilização.
Desde então, as ações se organizam em três frentes: no curto prazo, campanhas diante de situações urgentes; no médio prazo, iniciativas estruturantes de redução da pobreza, educação e geração de renda; e, no longo prazo, projetos ambientais e climáticos. Nesse caminho, o festival criou uma escola na Tanzânia, implantou salas de música em escolas públicas, instalou painéis fotovoltaicos em escolas portuguesas e, desde 2016, mantém o Amazônia Live, movimento de restauração florestal que já ultrapassa 4 milhões de árvores plantadas.
“Se uma pessoa está com fome, ela não consegue pensar em educação, em trabalho, em futuro. Por isso, um mundo melhor é um mundo sem fome”, afirma Ana Deccache, diretora de marketing da Rock World.
A trajetória também guarda momentos de forte mobilização, como a campanha Natal Sem Fome, em 2021, que resultou na distribuição de 250 mil cestas — o equivalente a 12,5 milhões de pratos de comida — beneficiando 250 mil famílias. Em 2024, o compromisso ganhou novas camadas com o Dia Brasil e o projeto Favela 3D, realizado com a Gerando Falcões no Morro da Providência, voltado a fortalecer o desenvolvimento social de 250 famílias. Já em 2025, o Amazônia Live voltou ao centro da estratégia do festival, mobilizando mais de 170 milhões de pessoas em sua comunicação e deixando um legado de R$ 2 milhões para seis iniciativas na região de Belém.
Serviço
- Campanha: Um Mundo Melhor é um Mundo sem Fome
- Parceria: Rock in Rio e Ação da Cidadania
- Ação “Eu Vou Doar”: a cada R$ 25 doados, participante concorre a um par de ingressos (até 1.000 pares sorteados)
- Coleção de camisetas Por Um Mundo Melhor: cada peça vendida destina 50 pratos de comida à causa
- Pratômetro: painel na Cidade do Rock com contagem em tempo real das doações
- Show de drones: 1.500 unidades, no encerramento, dia 13 de setembro, antes do terceiro show do Palco Mundo
- Leilão Fans For Change: arrecadação integral desta edição revertida para a Ação da Cidadania