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Danilo Caymmi e Ricardo Bacelar resgatam obra de Volta Seca

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A memória musical do cangaço ganha releitura contemporânea com o lançamento de single inédito que une Danilo Caymmi e Ricardo Bacelar em torno do cancioneiro histórico de Volta Seca.

O som que ecoava pelos acampamentos da caatinga ganha novos contornos instrumentais na primeira colaboração entre Danilo Caymmi e o pianista e arranjador Ricardo Bacelar. A faixa inédita “A Água Que Faltou no Céu” abre os caminhos para o resgate da produção musical de Antônio dos Santos, conhecido historicamente como Volta Seca, o mais jovem integrante do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Foi neste canal que eu conheci as músicas do Volta Seca e logo me bateu a ideia de gravá-las, com novos arranjos.

Danilo Caymmi e Ricardo Bacelar resgatam obra de Volta Seca
Foto: Divulgação

O tesouro esquecido da caatinga

A base conceitual da produção remonta a 1957, quando o próprio Volta Seca registrou oito faixas no vinil “Cantiga de Lampião”, com orquestração conduzida pelo maestro Guio de Morais pela gravadora e editora Todamérica. A matriz sonora serviu de guia para o desenvolvimento do disco “Volta Seca – Canções do Cangaço”, com previsão de lançamento pelo selo Jasmin Music em 16 de outubro.

A gênese da pesquisa nasceu a partir do contato com os estudos de Robério Santos, sergipano responsável pelo canal “O cangaço na literatura”, no qual percorre rotas históricas e documenta relatos sertanejos. Ao se deparar com os registros de Volta Seca, Danilo articulou a produção junto à Todamérica, selando a parceria com Bacelar para conduzir as gravações em Fortaleza.


https://youtu.be/ZSgGKoNzkzU

Um sertanejo diante do mar

Ao contrário dos outros temas do álbum, “A Água Que Faltou no Céu” foi gestada diretamente nos estúdios Jasmin. A composição reúne Caymmi, Bacelar e o poeta e compositor cearense Luis Lima Verde, inspirada na figura poética do homem sertanejo que nunca havia avistado a vastidão marítima.

Para estruturar as nove faixas do projeto, Ricardo Bacelar dividiu os arranjos com Márcio Rezende em sete temas e com Estênio Gonçalves em uma das composições. O repertório tradicional inclui marcos da cultura popular como “Mulher Rendeira”, “Acorda Maria Bonita”, “Escuta Donzela”, “Sabino & Lampião” e “Eu Não Pensei Tão Criança”, acompanhados de registro visual assinado pelo diretor Gabriel Lage.

Serviço

“A Água Que Faltou no Céu” (Danilo Caymmi/Ricardo Bacelar/Luis Lima Verde)

 

O Sol bebeu

A água de todo o sertão sem sentir dó

Rachou o chão sem sentir

 

Alma secou

Nos olhos de quem viu riacho virar pó

E o peixe que morreu no pó

 

A água que faltou no céu

A mágoa que sobrou no chão

O sonho que morreu ao léu

A morte que assombrou em vão

O bando de lenço e chapéu

Seguindo a luz do lampião

 

Água brotou

Nos olhos de quem viu pela primeira vez

O verde mar sem escassez

 

Agora eu sei

Que a água que faltou no meu sertão talvez

O mar roubou duma só vez

 

A lua clareando o breu

Na imensidão do mar feroz

Teu sonho não alcança o meu

Meu grito não cabe em tua voz

O verde mar não escondeu

Que é verde o sertão que há em nós


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