Ex-vocalista da Banda Uó apresenta versão voz e guitarra de seu álbum mais recente no Mês do Orgulho, em show intimista no Rio.
Há shows que funcionam pelo volume, pela luz, pela grandiosidade do espetáculo. O que Davi Sabbag propõe para o dia 27 de junho é outra coisa. Nos jardins da Casa Museu Eva Klabin, às 17h, ele apresenta uma versão exclusiva de Anjo Mau — seu álbum mais recente — em formato voz e guitarra, num encontro pensado para quem quer ouvir de perto.
A apresentação integra o projeto Pôr do Sol, série mensal com curadoria de Rodrigo Andrade que, em 2026, dedica toda a sua programação a artistas da comunidade LGBTQIAPN+. É o Mês do Orgulho acontecendo também nos espaços culturais — e com escolhas que têm história para contar.
De vocalista da Uó a voz solo que não para de se reinventar
Davi Sabbag marcou o imaginário pop queer brasileiro nos anos 2010 à frente da Banda Uó, grupo que misturava brega, eletrônica e uma estética que desafiava convenções antes que isso virasse tendência. Em carreira solo, ele não abandonou a experimentação — ao contrário, aprofundou.
Lançado em 2025, Anjo Mau é o resultado de uma reflexão intensa sobre repressão religiosa, desejo e resistência. O conceito nasceu de memórias da infância — o peso de querer agradar, a submissão como sobrevivência. Ao assumir a figura do anjo mau, Davi reivindica a própria sombra e transforma a raiva em força criativa.
O ‘Anjo Mau’ é esse lugar de questionamento. É um anjo que não aceita simplesmente as coisas como são, que pergunta por que tem que ser assim e transforma essa inquietação em música.
Davi Sabbag
O disco traz parcerias com nomes próximos de sua trajetória: Linn da Quebrada, Urias e Jaloo participam da produção e da composição de algumas faixas, criando extensões do universo estético que atravessa o álbum — experimentação pop, eletrônica, desejo e afirmação queer.
O que muda quando voz e guitarra ficam sozinhas no jardim
Transportar um álbum construído sobre camadas eletrônicas para um formato despojado não é simplificar — é reposicionar. No jardim projetado por Roberto Burle Marx nos anos 1960, a proximidade física entre artista e público cria uma experiência de escuta que grandes palcos raramente permitem.
Ritmos brasileiros, eurodance, trance e latinidades — elementos que atravessam o repertório de Davi — ganham outra densidade quando filtrados por voz e guitarra. Músicas antigas e atuais de sua trajetória dividem espaço, oferecendo ao público uma visão panorâmica de um trabalho que segue em construção.
“Mesmo amando um grande espetáculo, esse show tem a ver com uma escuta mais sentada, mais próxima. Esses momentos trazem outra perspectiva do trabalho, porque permitem ver de perto como a música chega nas pessoas”, explica o artista.
O Pôr do Sol e seu compromisso com a diversidade
O projeto Pôr do Sol tem uma lógica própria. Sempre no último sábado do mês, sempre às 17h, sempre nos jardins da Casa Museu Eva Klabin. O que muda a cada ano é o recorte curatorial — e essa escolha tem peso.
Depois de destacar mulheres em 2024 e artistas negros e negras em 2025, a edição de 2026 volta o olhar para a comunidade LGBTQIAPN+. A apresentação de Davi Sabbag em junho não é um evento isolado — é parte de uma programação anual que assume posição e a sustenta ao longo de doze meses.
Para um artista que constrói sua obra a partir de vivências, desejos e inquietações reais, o contexto importa tanto quanto o palco.
Serviço
- Evento: Pôr do Sol | Davi Sabbag
- Data: 27 de junho de 2026 (sábado), às 17h
- Local: Casa Museu Eva Klabin — Av. Epitácio Pessoa, 2480, Lagoa, Rio de Janeiro
- Ingressos: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia-entrada)
- Classificação: Livre
- Vendas: ingressos disponíveis no site da Casa Museu Eva Klabin

